Jacarezinho: polícia diz que apreendeu munição antitanque em operação

Comunidade é considerada quartel-general de facção criminosa. Ação começou antes das 6h e já deixou 25 mortos, um deles um policial civil

atualizado 06/05/2021 16:46

Munição antitanque apreendida em operação policial no JacarezinhoDivulgação/PCRJ

Rio de Janeiro – Mais de 250 policiais civis da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e da de Combate às Drogas (Dcod), com apoio de outras especializadas, seguem em operação na favela do Jacarezinho, na zona norte do Rio. A ação começou antes das 6h e já deixou 25 mortos, um deles o policial civil André Frias, da Dcod.

Segundo a Polícia Civil, entre os mortos estão 24 criminosos. Até o início da tarde, dez pessoas tinham sido presas. Foram apreendidas muitas armas e até munição antitanque. Entre os armamentos recolhidos estão uma metralhadora, uma escopeta, 14 granadas, um revólver e 16 pistolas.

Os últimos dois mortos foram baleados pela polícia durante a perícia no local da morte de outro criminoso. A ação também deixou pelo menos quatro feridos: dois policiais civis e dois passageiros do metrô. Um deles segue internado no Hospital Salgado Filho, onde foi confirmada a morte do agente André.

O agente André Frias era lotado na Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) e foi baleado na cabeça durante a Operação Exceptis. Levado ao Hospital Municipal Salgado Filho com quadro clínico considerado grave, ele não resistiu. Este é um dos maiores números de mortos em confrontos durante operações em favelas no Rio.

Ao todo, 21 traficantes foram identificados e são procurados pela polícia local. Em nota, a Polícia Civil informou que a Operação Exceptis é resultado de uma investigação contra a organização criminosa que atua na comunidade e coordenada pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Facção criminosa

O grupo é investigado pelo aliciamento de crianças e adolescentes para integrar a facção que domina o território, explorando os menores para práticas como o tráfico de drogas, roubo de cargas, roubos a transeuntes, homicídios e sequestros de trens da Supervia, dentre outros crimes praticados na região.

O confronto interrompeu a circulação dos transportes públicos na região, além de ter provocado o fechamento de escolas e de unidades de saúde, suspendendo, entre outros serviços, a vacinação contra a Covid-19.

O MetrôRio informou que os “dois clientes foram atingidos na altura da estação de Triagem, após o vidro de uma das composições aparentemente ser atingido por projétil”. Os passageiros feridos foram socorridos e também têm quadros estáveis.

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O Jacarezinho é dominado por uma das maiores facções criminosas e o território é considerado um dos mais importantes da quadrilha. O tiroteio interrompeu o tráfego entre as estações Maria da Graça e Triagem. Por volta das 7h15, os trens voltaram a circular.

A nota da Polícia Civil também classifica a situação da região como guerra e terrorismo, além de informar que os criminosos alvo da ação foram identificados após a quebra de sigilos telefônicos e de dados autorizados pela Justiça.

Desde junho do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu operações em favelas durante a pandemia. A decisão permite ações apenas em “hipóteses absolutamente excepcionais”, após comunicação e justificativa ao Ministério Público.

Metrópoles solicitou ao Ministério Publico o número de queixas e a quantidade atualizada de operações policiais informadas pela polícia, mas ainda não teve retorno.

O Ministério Público criou um serviço de atendimento 24 horas para receber denúncias de casos de violência e abusos durante as ações policiais em comunidades. Ainda não divulgou um balanço das denúncias recebidas por conta da operação no Jacarezinho.

As denúncias por áudios, fotos e vídeos podem ser enviadas para o WhatsApp (21) 2215-7003 ou pelo e-mail [email protected] A medida cumpre decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). 

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