Inep admite inconsistência em dados prévios do Enamed 2025
Universidades terão prazo para recurso depois da divulgação das notas pelo Ministério da Educação na segunda-feira (19/1)
atualizado
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O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) informou que identificou uma inconsistência na base de dados utilizada como insumo para o cálculo do Conceito Enade 2025 dos cursos de Medicina, o Enamed, cujos dados resultados foram divulgados na segunda-feira (19/1). O esclarecimento foi feito em ofício encaminhado às instituições de ensino superior participantes da prova.
O esclarecimento é assinado pela diretora de Avaliação da Educação Superior substituta, Suzi Mesquita Vargas, e busca afastar dúvidas sobre a validade dos conceitos já divulgados, em meio à repercussão entre faculdades de Medicina e entidades do setor educacional.
Segundo o documento, o problema ocorreu devido à utilização de uma nota de corte diferente daquela definida na Nota Técnica nº 19/2025 do próprio Inep. A inconsistência foi detectada após manifestações das instituições no sistema e-MEC, etapa em que as universidades podem conferir e validar os dados que subsidiam o cálculo do indicador de qualidade.
Horas depois da divulgação dos resultados, universidades já começaram a enviar questionamentos sobre o resultados ao Ministério da Educação (MEC).
De acordo com o órgão, as informações relativas ao número de alunos inscritos e participantes estão corretas. O erro identificado diz respeito apenas a um dado específico, que será excluído do sistema.
Ainda conforme o ofício, o Conceito Enade dos cursos de Medicina, divulgado em 19 de janeiro, considerou o número de concluintes classificados como proficientes, com base na nota de corte prevista na nota técnica oficial.
O Inep afirma ainda que a conferência desses dados pode ser feita pelas instituições por meio dos microdados do Enamed, disponibilizados em seu portal, e recomenda a leitura dos documentos explicativos da base.
30% dos cursos foram mal avaliados
De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Educação na segunda-feira, mais de 100 cursos de medicina do país tiveram resultados insatisfatórios no Enamed 2025, algo em torno de 30% dos cursos avaliados.
Ao todo, 351 cursos de medicina participaram do exame, ligados ao Sistema Federal de Ensino, que inclui as instituições de educação superior públicas federais e as instituições privadas, e também as instituições públicas estaduais, distritais e municipais, que são supervisionadas pelos respectivos conselhos e/ou secretarias estaduais de Educação.
Do total de 304 cursos de medicina pertencentes ao Sistema Federal de Ensino que participaram do Enamed 2025, 204 cursos ficaram nas faixas 3 a 5 do Conceito Enade (67,1%); 99 cursos ficaram nas faixas 1 e 2 do Conceito Enade (32,6%) e 1 curso ficou sem conceito (0,3%).
Dos cursos apontados abaixo das faixas de aprovação, 24 ficaram no conceito 1, e 83 constam no conceito 2, totalizando 107 cursos “reprovados”. Apenas 1 curso compõe a faixa “sem conceito”, pois menos de 10 alunos foram avaliados.
Dos 107 cursos reprovados, apenas 99 vão enfrentar as penalidades, uma vez que as faculdades estaduais e municipais não estão sob gerência do ministério.
Reações
Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) disse que o Enamed “não é um exame de proficiência profissional, não habilita nem desabilita médicos, tampouco substitui os mecanismos legais e regulatórios próprios para o exercício da profissão”.
A associação diz ainda que as inconsistências reconhecidas pelo Inep comprometem “a transparência, a segurança jurídica e a correta interpretação dos dados, além de expor indevidamente instituições e estudantes a julgamentos públicos baseados em informações que o próprio MEC admite precisar revisa” e defende uma apuração criteriosa dos fatos.
