Metrópoles vence 1° Prêmio TST de Jornalismo

A reportagem “Meninos-soldados: a infância a serviço do tráfico de drogas” concorria na categoria Webjornalismo

Vinícius Santa Rosa/MetrópolesVinícius Santa Rosa/Metrópoles

atualizado 12/11/2019 20:31

Metrópoles venceu o 1° Prêmio Justiça do Trabalho de Jornalismo, organizado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). A reportagem Meninos-soldados: a infância a serviço do tráfico de drogas concorria na categoria Webjornalismo. Também foram finalistas trabalhos da TV Record, G1 e Folha de S. Paulo.

Os vencedores foram anunciados nessa terça-feira (12/11/2019), em cerimônia no salão nobre da sede do órgão em Brasília. Nesta primeira edição, o concurso premiou reportagens que abordam o combate e as formas de enfrentamento da exploração do trabalho infantil. Foram inscritos 57 trabalhos em cinco diferentes categorias: Telejornalismo, Radiojornalismo, Webjornalismo, Fotojornalismo e Jornalismo Impresso.

“É incompreensível que, até hoje, ainda existe trabalho infantil no mundo. Fazemos a nossa parte para acabar com essa prática, mas é extremamente importante o envolvimento da imprensa no combate”, disse o presidente do TST, João Batista Brito Pereira.

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Os representantes do Metrópoles (Stephanie Arcas, Moisés Dias, Olívia Meireles) e o ministro Breno Medeiros

A matéria premiada, da repórter Leilane Menezes, conta a história de Thiago Alves Moreno, Alessandro da Silveira Maciel e Jeconias Lopes. Eles aceitaram revelar suas trajetórias de exploração pelo tráfico de drogas durante a infância e a adolescência. O trio descreve uma realidade que afeta milhares de crianças e jovens a serviço do narcotráfico no Brasil, inclusive na capital do país, no quintal dos três Poderes da República.

Apesar de constar na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a atuação de crianças e adolescentes no tráfico de drogas não é considerada como trabalho infantil pela Justiça brasileira. Assim, prevalece o aspecto de ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o que leva à aplicação de medida socioeducativa ao menor de 18 anos, mas não à proteção de direitos fundamentais.

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O presidente do TST, João Batista Brito Pereira, destacou a importância da imprensa no combate ao trabalho infantil

O Brasil é signatário da Convenção 182 da OIT e, por meio do Decreto nº 3.597/2000, enquadra o tráfico como trabalho infantil, determinando ações imediatas para sua eliminação. Estudos apontam ambiguidade jurídico-normativa em relação ao tema. Enquanto não se chega a um entendimento, a juventude em situação de vulnerabilidade social fica refém de um Estado que não cumpre as leis e, assim, condena o próprio futuro.

O trabalho recebeu a edição de Lilian Tahan, Priscilla Borges, Maria Eugênia Moreira, Olívia Meireles e Ana Helena Paixão. O texto foi revisado por Denise Costa. As fotografias saíram das mãos de Daniel Ferreira, Michael Melo e Rafaela Felicciano. Gui Prímola liderou a equipe de arte, composta por Moisés Amaral e Stephanie Arcas. Por fim, Allan Rabelo, Saulo Marques e André Marques desenvolveram a interface.

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