Ilegal, prática conhecida como “Troia” é comum no Rio, diz Defensoria

A tática proporciona aos policiais atacar em becos ou imóveis – ocupados ou não -, sem voz de prisão e sem risco à vida do agente público

atualizado

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Foto: Aline Massuca/Metrópoles
Moradores em um beco no Jacarezinho após operação
1 de 1 Moradores em um beco no Jacarezinho após operação - Foto: Foto: Aline Massuca/Metrópoles

Rio de Janeiro – A Defensoria Pública denuncia: a prática, pela polícia, de invadir casas para ficarem escondidos de tocaia e atirarem quando um suspeito passa tem sido cada vez mais comum nas comunidades do Rio, conforme queixas de moradores e entidades de segurança pública. A tática, popularmente conhecida como “Troia”, proporciona aos policiais atacar em becos ou imóveis – ocupados ou não, revela Guilherme Pimentel, ouvidor da Defensoria Pública.

“Esse policial fica ali escondido numa janela, num canto ou numa porta, aguardando alguém que ele considere suspeito aparecer desprevenidamente em frente ao local que ele está escondido. Uma vez que essa pessoa aparece, então, ela é alvo de disparos letais, disparos para abater essa pessoa”, afirma.

Um morador de uma comunidade contou à TV Globo que já teve sua casa invadida. “A minha casa já foi ocupada por policiais. Colocaram a gente em risco, muitas vezes. Eles usaram a gente de escudo, né? A gente acorda com essa vigília da polícia nos lugares próximos das nossas casas. Invade as nossas casas pra poder fazer essa tocaia, que é a ‘Troia'”, relata o morador, que teve sua identidade preservada por segurança.

Anistia

Em um relatório da Anistia Internacional, o termo “Troia” é usado para explicar como “pessoas são executadas sem receber nenhuma ordem de prisão ou sem oferecer perigo para a vida do policial”. Para a  Rede Observatórios da Segurança, mesmo ilegal, o método continua sendo empregado com frequência.

“Em vez de desarticular as quadrilhas, eles vão lá e executam esses criminosos”, diz Silvia Ramos, coordenadora da Rede de Observatórios da Segurança. “‘Troias’ são operações policiais ilegais em que agentes invadem casas ou áreas das comunidades, ficam escondidos ali e quando criminosos passam, eles atiram numa emboscada e num ato de execução. Muitas vezes, ao atirarem, eles atiram em pessoas que estão passando por ali, porque ali é um local dentro da comunidade”, conclui.

Rodrigo Mondego, da Comissão de Direitos Humanos da OAB, diz que esse método é ilegal e ineficaz. “Não é possível existir a figura da execução sumária, porque não existe no ordenamento jurídico. Para além disso, é uma metodologia que tem tudo pra dar errado, até quando tem apenas aqueles criminosos ou supostos criminosos daquela localidade. Muitas vezes inocentes morrem por conta da ‘Troia'”, conta.

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