Homem perseguido por bolsonaristas na Esplanada relata agressões

Imagens mostram o momento em que ele foi perseguido pelos manifestantes, que tentaram invadir o Ministério da Saúde

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Gustavo Moreno/Especial Metrópoles
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1 de 1 WhatsApp Image 2021-09-08 at 11.06.53 (2) - Foto: Gustavo Moreno/Especial Metrópoles

O homem agredido por manifestantes bolsonaristas na manhã desta quarta-feira (8/9), na Esplanada dos Ministérios, conta que foi atacado com xingamentos, socos e chutes. Identificado como Anamim Lopes Silva, ele é auditor aposentado da Controladoria-Geral da União (CGU).

O grupo de bolsonaristas está acampado na Esplanada desde a noite de segunda-feira (6/9). Eles chegaram ao local para atos em celebração ao Dia da Independência e iniciaram um novo protesto na manhã desta quarta. Imagens feitas pela equipe do Metrópoles mostram o momento em que o homem foi perseguido pelos manifestantes.

Anamim conta que havia saído de casa para fazer a prova de vida da Previdência Social em uma agência bancária. No caminho, ele passou pelo ato bolsonarista e fez comentários críticos ao governo federal. Os manifestantes cercaram o homem e o agrediram com xingamentos, “chutes e socos na costela”, conforme relato publicado nas redes sociais.

O homem afirma que foi servidor do Ministério da Saúde durante 18 anos. Ao ser agredido, ele tentou entrar na sede oficial do órgão para se abrigar. Vídeos mostram o momento em que Anamim foi socorrido por seguranças do prédio. Manifestantes tentaram invadir o local e dispararam golpes contra as vidraças e a portaria.

“Saí de casa para fazer prova de vida e aguardava dar 11 horas para agência abrir. Decidi dar um pulinho no Ministério da Saúde, onde trabalhei por 18 anos. Um fanático bolsonarista não gostou de um comentário”, relata.

Anamim conta que levou “muitos chutes no traseiro e muito soco nas costelas”. “Me cercaram e me agrediram verbalmente e com chutes e tapas, da Esplanada até a portaria do prédio, que estava fechado. Fui acudido por servidores da casa que me conheciam para que eu não fosse linchado! Quase que não consigo fazer prova de vida”, conta.

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O grupo o perseguiu com xingamentos e empurrões. Algumas pessoas o acusavam de ser da TV Globo.
Com ajuda de seguranças, o homem entrou na sede do Ministério da Saúde
Manifestantes tentaram invadir o prédio federal para agredir o senhor
Homem foi cercado por um grupo de manifestantes próximo ao Ministério da Saúde
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Homem foi cercado por um grupo de manifestantes próximo ao Ministério da Saúde

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O grupo o perseguiu com xingamentos e empurrões. Algumas pessoas o acusavam de ser da TV Globo.
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O grupo o perseguiu com xingamentos e empurrões. Algumas pessoas o acusavam de ser da TV Globo.

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Com ajuda de seguranças, o homem entrou na sede do Ministério da Saúde
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Com ajuda de seguranças, o homem entrou na sede do Ministério da Saúde

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Manifestantes tentaram invadir o prédio federal para agredir o senhor
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Manifestantes tentaram invadir o prédio federal para agredir o senhor

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Perseguição

Além de Anamim, repórteres de televisão foram perseguidos por manifestantes. Um cinegrafista foi cercado pelos bolsonaristas e precisou deixar o equipamento na rua. A equipe conseguiu recuperar as peças, mas precisou de escolta da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) para sair do local.

Em nota, a PMDF informou que foi acionada para resolver a situação. No entanto, a corporação disse que, quando os agentes chegaram ao local, a confusão já havia finalizado

“A PMDF foi acionada para verificar uma situação envolvendo jornalistas e manifestantes. Quando chegamos ao local, a situação foi resolvida. Informações preliminares”, informou a corporação, em nota.

Procurado pelo Metrópoles, o Ministério da Saúde confirmou o incidente e informou que não há registro de pessoas feridas.

“O Ministério da Saúde informa que, na manhã desta quarta-feira (8), alguns manifestantes tentaram entrar no edifício-sede da pasta. A situação foi rapidamente contida pelos seguranças do prédio. Cabe esclarecer que não houve feridos”, divulgou a pasta.
Acampamento

O grupo estava acampado na Esplanada dos Ministérios desde o fim de segunda-feira (6/9). Na manhã desta quarta, a Esplanada amanheceu com o trânsito bloqueado. Manifestantes estacionaram ônibus e caminhões em uma das faixas da via.

Os protestos iniciaram por volta das 8h. Um grupo se concentrou próximo ao Ministério da Saúde e iniciou o ato, com palavras de ordem e carros de som.

Na noite do dia 6, data em que os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) chegaram à Esplanada, um grupo pressionou a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), que acabou liberando a passagem para um desfile.

Um grupo de caminhoneiros, no entanto, descumpriu a promessa feita na negociação e estacionou os veículos nas seis faixas do Eixo Monumental, rumo à Praça dos Três Poderes.

Tão logo chegaram ao local, alguns arrancaram grades na rua anterior ao prédio do Congresso Nacional, mas foram controlados pela polícia e por outros participantes do ato.

A estimativa do número de pessoas que passaram pela Esplanada dos Ministérios neste 7 de Setembro aumentou para cerca de 400 mil pessoas. Dados aos quais o Metrópoles teve acesso mostram que, durante a manhã, período de maior aglomeração em manifestação, 105 mil cidadãos tinham participado do evento. No fim dessa terça-feira (7/9), o quantitativo foi atualizado.

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