Grávida morta em tiroteio era vendedora de badalada grife carioca

Fundador da marca Farm expressou sua perplexidade diante da morte de sua funcionária: “Estou devastado com essa tragédia absurda”

atualizado 09/06/2021 13:11

homenagem a KathlenAline Massuca/Metrópoles

O estilo de Kathlen de Oliveira Romeu, de 24 anos, exibido em suas fotos nas redes sociais tem conexão direta com uma badalada marca carioca de roupas femininas: a Farm. Ela era vendedora da loja da grife em Ipanema, na zona sul do Rio.

Kathlen foi morta por uma bala perdida na última terça-feira (8/6) durante confronto entre policiais militares e bandidos em Lins de Vasconcelos, bairro do subúrbio, na zona norte da cidade.

Marcello Bastos, fundador da marca, expressou sua perplexidade diante da morte de sua funcionária.

“Estou completamente devastado com essa tragédia absurda”, disse Bastos em mensagem divulgada em seu perfil no Instagram.

Na publicação, o fundador da Farm aparece ao lado de Kathlen e de outras funcionárias da loja de Ipanema.

O empresário contou ainda que a jovem trabalhava na Farm “há cinco ou seis anos”. Chegou até a empresa por indicação de sua ex-mulher, que é mãe da filha mais velha de Bastos.

Marcello Bastos, fundador e sócio da Farm
Marcello Bastos, fundador e CEO da Farm

Segundo o fundador da marca, Katlhlen “passou na hora” no processo de seleção. Mencionou ainda a evolução da funcionária dentro da empresa.

Desde o início, de acordo com Bastos, a jovem “brilhava na loja de Ipanema”.

“Competente. Uma energia incrível. Linda, simpática e cheia de vida”, descreveu o dono da Farm.

Veja o post: 

farm em homenagem a katlhen

Em comunicado enviado ao Metrópoles, a Farm informou que a partir desta quarta-feira (9/6) toda a venda feita no código de Kathlen (E957) terá sua comissão revertida em apoio para sua família. A marca também disse que vai “apoiá-la de forma independente e paralela”.

“Sabemos que nada que fizermos poderá trazer Kath de volta mas nos comprometermos a acelerar ainda mais nossos processos de inclusão e equidade racial para transformar as cruéis estatísticas que levam vidas jovens negras como a de Kath a cada 23 minutos no nosso país. As vidas de Kath e seu bebê importam”, diz comunicado da loja.

Comoção

Kathlen Romeu, de 24 anos, foi morta ao ser atingida por uma bala perdida no Lins de Vasconcellos, na zona norte do Rio, durante tiroteio entre policiais militares e criminosos. Ela estava grávida do primeiro filho.

Em entrevista reproduzida pelo jornal O Globo, a avó da jovem, Sayonara, relatou que estava com a neta no momento do tiroteio. A mulher conta que tentou proteger Kathen.

“A gente estava indo na firma da minha filha. Quando nós passamos, a rua estava tranquila. Foi tudo muito de repente. A minha neta caiu, começou muito tiro. Quando puxei, ela caiu. Eu me machuquei ainda, me joguei para proteger ela, que está gravida”, lembra.

Então, Sayonara viu um furo no braço dela e gritou por ajuda. “Perdi minha neta e meu bisneto”, desabafou a avó, chorando. A mulher também relatou que Kathlen havia se mudado do Lins há cerca de um mês por causa da violência.

A jovem chegou a ser socorrida para o Hospital Salgado Filho, no Méier, mas deu entrada na unidade de saúde já sem vida.

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A assessoria da Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que, “após uma troca de tiros com criminosos na localidade conhecida como Beco da Catorze, PMs da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Lins encontraram uma mulher baleada”. Os militares alegam que foram atacados a tiros pelos bandidos, dando início ao confronto.

Levantamento da plataforma de dados Fogo Cruzado mostra que quase 700 mulheres foram baleadas na região metropolitana do Rio de Janeiro de 2017 até este ano. Pelo menos 15 delas estavam grávidas. Oito gestantes morreram. Do total, 258 mulheres morreram por causa dos disparos de armas de fogo. O último caso registrado foi a morte de Kathlen.

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