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Brasil

Governo Lula ainda aposta em diálogo com os EUA para barrar tarifaço

Chefe da representação comercial dos EUA tem reunião prevista com o governo brasileiro ainda nos próximos dias para negociar tarifas

06/07/2026 13:23
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Ricardo Stuckert/Presidência da República
Lula e Trump em encontro na Casa Branca

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta em uma reunião com Jamieson Greer, chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), em uma tentativa de impedir que novo tarifaço seja imposto ao Brasil. O órgão analisa, até o dia 15 de julho, a imposição de 25% de tarifas sobre produtos brasileiros após uma investigação comercial.

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A reunião está prevista para os próximos dias e deve contar com a presença de Marcio Elias Rosa, o chefe do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), pasta que tem conduzido as negociações sobre as tarifas com o EUA.

O encontro, de acordo com interlocutores do presidente Lula, sucede uma intensa negociação entre os dois países que tem como objetivo barrar novas taxas a importações brasileiras. Nesta semana o USTR dá prosseguimento ao processo que analisa a imposição de 25% de taxas a produtos brasileiros importados pelos EUA.

Em uma audiência que acontece nestas segunda-feira (6/7) e terça-feira (7/7), o órgão escuta membros da sociedade civil, empresas e associações sobre as taxas. A previsão é que as tarifas sejam implementadas a partir do dia 15 de julho. Até lá, contudo, o governo brasileiro espera chegar a um acordo com o país.

Mapa de compensações

Em meio às negociações, o Brasil apresentou aos EUA um “mapa de compensações” que reforça mecanismos de controle em áreas que vêm sendo questionadas pelos norte-americanos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, como nas áreas de comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

A princípio, três setores principais podem entrar na mesa de negociação, com possibilidade de redução de tarifas de importação de produtos norte-americanos. São eles:

  • máquinas;
  • equipamentos na área da saúde; e
  • tecnologia da informação, que somam cerca de 300 linhas tarifárias.

As áreas, de acordo com o governo brasileiro, além de atenderem a interesses do setor econômico norte-americano, também protegem setores da indústria nacional — a proposta foi construída de forma que não prejudique a produtor brasileiro. O Palácio do Planalto, contudo, vê dificuldade na negociação com o país.

Após a última reunião entre o MDIC e o USTR, o ministro Márcio Elias Rosa admitiu que questões políticas têm dificultado o avanço das discussões. A gestão de Donald Trump tem sido crítica com o presidente Lula, que tem um alinhamento político-ideológico diferente do republicano.

Membros do Palácio do Planalto admitem ainda que a insistência da família Bolsonaro em manter uma interlocução paralela com a Casa Branca dificulta as tratativas burocráticas e diplomáticas com o USTR.