Governo detalha bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026

O governo bloqueou valores do Orçamento deste ano para cumprir a meta fiscal de superávit primário. Emendas e ministérios foram atingidos

atualizado

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Esplanada dos ministérios: reforma administrativa reorganiza o serviço público. Governo deve gastar R$ 3,8 bilhões com benefícios a servidores em 2026
1 de 1 Esplanada dos ministérios: reforma administrativa reorganiza o serviço público. Governo deve gastar R$ 3,8 bilhões com benefícios a servidores em 2026 - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O governo federal publicou, na noite desta segunda-feira (30/3), o detalhamento do bloqueio de despesas de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026.

A medida foi apresentada no Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) do 2º bimestre, documento bimestral que avalia a evolução das receitas e despesas primárias do governo central e auxilia na decisão de liberar ou conter gastos.

Esta é uma das medidas para cumprir a meta de gastos do arcabouço fiscal, como é chamada a nova forma de controle de gastos públicos.

  • Despesas discricionárias: gastos que o governo pode decidir como alocar, dentro do orçamento disponível, podendo investir em áreas como infraestrutura, saúde ou educação.
  • Despesas obrigatórias: gastos fixados por lei ou pela Constituição, como pagamento de pessoal, benefícios previdenciários, transferências a estados e municípios, e encargos da dívida pública.

Do valor bloqueado, R$ 334 milhões incidem sobre as emendas parlamentares, o restante, R$ 1,5 bilhão, afetou os seguintes órgãos:

  • Ministérios dos Transportes, com R$ 476 milhões bloqueados;
  • Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, com R$131 milhões;
  • Ministério da Agricultura e Pecuária, com R$ 142 milhões;
  • Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, com R$ 101 milhões;
  • Ministério da Fazenda, com R$ 100 milhões;
  • Ministério das Cidades, com R$ 84 milhões;
  • Agência Nacional de Transportes Terrestres, com R$ 81 milhões;
  • Ministério do Esporte, com R$ 67 milhões;
  • Ministério de Portos e Aeroportos, com R$ 30 milhões;
  • Ministério da Cultura, com R$ 23 milhões;
  • Ministério das Comunicações, com R$ 19 milhões;
  • Ministério da Pesca e Aquicultura, com R$ 8,8 milhões;
  • Ministério do Turismo, com R$ 7,3 milhões;
  • Agência Nacional de Saúde Suplementar, com R$ 3,4 milhões;
  • Ministério da Saúde, com R$ 1,7 milhões.

O Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) explicou que seguirá monitorando a execução orçamentária e financeira, nos termos da legislação em vigor, adotando as medidas necessárias para garantir o atendimento do resultado fiscal do exercício.

Os órgãos terão até 7 de abril para indicar as programações que serão efetivamente bloqueadas. Já com relação às emendas parlamentares, o processo de distribuição da contenção, que incidirá em emendas de bancada, seguirá regras e prazos próprios.


Ajustes nas contas públicas

  • Bloqueio e contingenciamento, tecnicamente, são duas coisas diferentes, embora sejam usadas como sinônimos. Enquanto o contingenciamento guarda relação com as receitas, o bloqueio é impactado pelas despesas.
  • O contingenciamento é necessário quando a receita não consegue comportar o cumprimento da meta de resultado primário estabelecida, que é de superávit em 2026. Ou seja, a arrecadação com impostos federais é menor do que a projetada pela equipe econômica para o período.
  • Enquanto o bloqueio se faz necessário quando as despesas obrigatórias crescem e o governo precisa cortar esses gastos. Nesse caso, a União pode escolher quais programas serão afetados pelos bloqueios.

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