Governo define tabela do diesel, mas efeito na bomba ainda é incerto

Valores de referência passam a orientar subvenção ao combustível, mas setor vê dúvidas sobre repasse e efeitos na bomba

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Kebec Nogueira/Metrópoles @kebecfotografo
Bomba de combustível abastecendo veículo com combustível
1 de 1 Bomba de combustível abastecendo veículo com combustível - Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles @kebecfotografo

O governo federal publicou nesta sexta-feira (20/3), no Diário Oficial da União (DOU), a tabela com os preços de referência que vão balizar a concessão da subvenção ao diesel, etapa considerada essencial para operacionalizar o subsídio ao combustível em meio à disparada do petróleo no mercado internacional.

Os valores servirão como parâmetro para que produtores e importadores tenham acesso ao benefício de R$ 0,32 por litro, previsto na Medida Provisória (MP) editada pelo governo. A iniciativa faz parte de um pacote que também inclui a isenção de tributos federais, como PIS/Cofins, com o objetivo de conter o avanço dos preços.

Na prática, a tabela define o teto de preço para que empresas possam aderir ao programa e receber o subsídio, criando uma referência para o funcionamento do mercado. A expectativa do governo é que, com isso, haja maior previsibilidade e que o desconto seja efetivamente repassado ao consumidor final. Confira os valores:

Para importadores de óleo diesel e produtores que refinam petróleo importado e nacional adquirido de terceiros:

  • R$ 5,510 por litro, na região Centro-Oeste;
  • R$ 5,281 por litro, na Região Nordeste;
  • R$ 5,309 por litro, na Região Norte;
  • R$ 5,294 por litro, na Região Sudeste;
  • e R$ 5,310 por litro, na Região Sul.

Para produtores de óleo diesel que refinam petróleo nacional próprio:

  • R$ 3,864 por litro, na Região Centro-Oeste;
  • R$ 3,509 por litro, na Região Nordeste;
  • R$ 3,597 por litro, na Região Norte;
  • R$ 3,663 por litro, na Região Sudeste;
  • e R$ 3,647 por litro, na Região Sul.

Dúvidas sobre a efetividade da medida

Apesar da regulamentação, agentes do setor afirmam que ainda há dúvidas sobre a efetividade da medida e sobre o tempo necessário para que o alívio chegue às bombas.

Entre os pontos de incerteza, estão a dinâmica de repasse ao longo da cadeia, que envolve produtores, distribuidores e postos, e a possibilidade de defasagem entre o preço de referência definido pelo governo e as cotações internacionais do diesel.

Na avaliação de participantes do mercado, o simples estabelecimento da tabela não garante redução imediata ao consumidor, já que o impacto dependerá da adesão das empresas ao programa e das condições de oferta e demanda.

O subsídio ao diesel integra um conjunto de medidas adotadas pelo governo para enfrentar a escalada do petróleo no cenário global, impulsionada por tensões geopolíticas recentes.

Além da subvenção, o governo zerou tributos federais sobre o combustível, o que, somado ao subsídio, pode gerar um alívio potencial de até R$ 0,64 por litro ao longo da cadeia.

As medidas têm caráter emergencial e buscam evitar que o aumento do diesel pressione o custo do transporte e, consequentemente, a inflação de alimentos e outros produtos.

Fiscalização

Especialistas apontam que a operacionalização da política é complexa e exige fiscalização para garantir que o benefício seja repassado ao consumidor final, uma das condições previstas pelo governo.

Nesse contexto, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) também deve intensificar o monitoramento do mercado de combustíveis, diante do risco de práticas abusivas de preços e distorções na cadeia.

Há ainda preocupação com o custo fiscal das medidas e com possíveis efeitos colaterais, como incertezas regulatórias e impactos sobre investimentos no setor.

No Brasil, o diesel é considerado um combustível estratégico, com impacto direto sobre o transporte de cargas. Por isso, o governo tem buscado calibrar medidas para conter a alta sem comprometer o equilíbrio fiscal e o funcionamento do mercado.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?