Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Governistas vão levar relatório paralelo à PF mesmo sem aprovação na CPMI

Deputado Paulo Pimenta chamou de "afronta a democracia" decisão de Carlos Viana de não colocar relatório paralelo em votação

28/03/2026 01:45, atualizado 28/03/2026 02:58
Compartilhar notícia
Marcos Oliveira/Agência Senado
Governistas vão levar relatório paralelo à PF mesmo sem aprovação na CPMI

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) chamou de “afronta à democracia” a decisão do presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), de não colocar em votação o relatório paralelo da comissão na madrugada deste sábado (28/3).

“Se essa comissão concluiu seus trabalhos sem ter um relatório final, foi uma decisão política. Isso é uma afronta à democracia”, disse logo após o fim da votação do relatório oficial. O texto foi rejeitado por 18 votos a 12 e a CPMI termina sem ter um documento oficial.

Mesmo assim, os governistas afirmaram que vão entregar o relatório paralelo para a Polícia Federal, para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o Supremo Tribunal Federal (STF). O relatório dos governistas culpa a gestão de Jair Bolsonaro e cita 129 envolvidos na fraude do INSS, incluindo o próprio ex-presidente.

Relatório paralelo pede indiciamento de 130 pessoas

O relatório dos governistas pede o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de mais 129 pessoas. De autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), o documento pede o indiciamento de Bolsonaro por furto qualificado praticado contra idoso e mais crimes.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Manobra do governo

O parecer oficial da CPMI foi barrado após articulações dos governistas.

Uma das manobras envolveu a exoneração do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD-MT), para que ele reassumisse o mandato no Senado e participasse da votação do relatório. Fávaro é senador por Mato Grosso, mas estava licenciado para ocupar o cargo na Esplanada dos Ministérios.

Governistas vão levar relatório paralelo à PF mesmo sem aprovação na CPMI - destaque galeria
5 imagens
Deputados Lindbergh e Gaspar batem boca na CPMI do INSS: "Estuprador"
Deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) na CPMI do INSS
Governistas vão levar relatório paralelo à PF mesmo sem aprovação na CPMI - imagem 4
CPMI do INSS apresenta relatório final
CPMI do INSS apresenta relatório final nesta sexta-feira (27/3)
1 de 5

CPMI do INSS apresenta relatório final nesta sexta-feira (27/3)

Reprodução/TV Senado
Deputados Lindbergh e Gaspar batem boca na CPMI do INSS: "Estuprador"
2 de 5

Deputados Lindbergh e Gaspar batem boca na CPMI do INSS: "Estuprador"

Reprodução/TV Senado
Deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) na CPMI do INSS
3 de 5

Deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) na CPMI do INSS

Reprodução/TV Senado
Governistas vão levar relatório paralelo à PF mesmo sem aprovação na CPMI - imagem 4
4 de 5

Reprodução/TV Senado
CPMI do INSS apresenta relatório final
5 de 5

CPMI do INSS apresenta relatório final

Reprodução/TV Senado

Escândalo do INSS

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.