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Eleições 2026Brasil

Governador interino do Rio começa transição para Douglas Ruas

Estado é comandado por desembargador desde março. Decreto prevê acesso da equipe de Ruas às informações da atual administração

14/10/2026 13:36
Fernando Frazão/Agência Brasil
Palácio Guanabara, sede do governo do Rio de Janeiro

O governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, oficializou nesta quarta-feira (14/10) o início da transição para o governo de Douglas Ruas (PL), eleito no primeiro turno das eleições estaduais.

O decreto, publicado no Diário Oficial do estado, estabelece que os secretários estaduais terão até 30 de outubro para apresentar informações sobre as contas públicas, os programas em andamento e os principais problemas que deverão ser enfrentados pela próxima gestão.

A transição ocorre em uma situação incomum. O Rio de Janeiro está sem governador titular desde março, quando Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo. Desde então, o estado é administrado interinamente por Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

Segundo o decreto, Douglas Ruas poderá indicar até cinco integrantes para sua equipe de transição, que terá acesso às informações reunidas pelo atual governo. O processo de troca deverá continuar até a posse de Ruas, em 6 de janeiro de 2027.

A comissão responsável por organizar esses dados será presidida pelo chefe da Casa Civil, Flávio Willeman. O grupo também terá representantes das secretarias de Fazenda, Planejamento e Gestão e Infraestrutura e Obras Públicas, além do subsecretário-geral da Casa Civil e do procurador-geral do Estado.

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Os relatórios deverão apresentar os projetos interrompidos, os programas em execução e as questões que exigirão decisões nos primeiros 100 dias do novo governo.

Na terça (13/10), o governador eleito se reuniu com Ricardo Couto na sede do TJRJ para discutir a transferência de comando. Ruas também anunciou que a atual secretária estadual das Cidades, Maria Gabriela Bessa, que assumiu a pasta antes ocupada por ele, coordenará sua equipe de transição.

Rio está sem governador titular desde março

O Rio de Janeiro passou boa parte de 2026 sob o comando de um integrante do Judiciário, após uma série de mudanças na linha sucessória do governo estadual.

O vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Em março deste ano, Cláudio Castro renunciou ao governo, um dia antes de ser declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O comando do Executivo deveria passar ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), mas Rodrigo Bacellar havia sido afastado do cargo e estava preso. Com isso, Ricardo Couto assumiu interinamente o Palácio Guanabara.

A situação provocou uma disputa judicial. O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou um julgamento para decidir se o Rio deveria realizar uma eleição direta ou indireta para escolher um governador até o fim do mandato, mas a análise foi interrompida.

O PL chegou a tentar levar Douglas Ruas ao comando interino do estado após elegê-lo presidente da Alerj. O STF, porém, manteve Ricardo Couto no cargo.

Ruas terminou à frente da disputa para governador no último dia 4. A vitória no primeiro turno foi confirmada no último sábado (10/10), depois que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) refez a totalização dos votos.

A nova apuração ocorreu após o TSE negar o registro de candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) e determinar a anulação dos 274.411 votos recebidos pelo ex-governador.

Com a exclusão desses votos, Douglas Ruas passou de 49,27% para 50,88% dos votos válidos e superou a maioria necessária para vencer no primeiro turno. O resultado afastou a possibilidade de uma nova votação contra Eduardo Paes (PSD), inicialmente prevista para 25 de outubro.