Golpe do gado: MP pede investigação conjunta envolvendo promotora
Gabriel Fucciolo é acusado de comprar gado com cheques sem fundos e de esconder na fazenda da mãe, a promotora Leila Maria, para revender

O Ministério Público de Goiás (MPGO) encaminhou à Justiça um pedido para que as investigações envolvendo o empresário Gabriel Fucciolo de Oliveira Brandão e sua mãe, a promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira, tramitem conjuntamente com o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). Em março, o Metrópoles divulgou que eles são investigados por estelionato em um golpe envolvendo compra e venda de gado.
Em nova manifestação recente enviada ao Judiciário, o MPGO reconheceu que diferentes investigações espalhadas pelo estado tratam de um mesmo cenário de crimes. Por isso, o órgão argumenta que as frentes de investigação devem tramitar de forma conjunta TJGO, instância responsável por processar autoridades com prerrogativa de foro.
“De fato, resta indene de dúvidas o reconhecimento de que os dois procedimentos possuem inegável ligação fática. Desse modo, conforme a própria manifestação do Parquet, ambos devem seguir e tramitar conjuntamente, sendo esta a medida estritamente necessária para preservar a coerência investigativa, evitar a dispersão de provas, impedir a duplicidade de diligências e afastar o risco de decisões conflitantes”, diz o documento do Ministério Público de Goiás.
Como funcionava o esquema
- As cabeças de gado eram compradas, segundo a investigação, com cheques sustados ou sem fundos.
- Em seguida, os animais eram, supostamente, levados para a fazenda da promotora em Varjão (GO).
- Apesar da falta de pagamento por parte do filho dela, Gabriel Fucciolo de Oliveira Brandão, os animais eram vendidos em leilões da região.
- Segundo a investigação, o suposto golpe gerou dívida milionária.
- A polícia estima que cerca de 2,4 mil cabeças de gado foram comercializadas por eles.
Gabriel Fucciolo é suspeito de movimentar R$ 4 milhões em revendas ilícitas de gado, deixando rastro de mais de R$ 3 milhões em prejuízos diretos para um grupo de cinco pecuaristas. Com essa unificação, o MPGO estima que o prejuízo seja ainda maior. O acusado é filho da promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira, também investigada por suposto envolvimento no esquema fraudulento.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesProcurada pelo Metrópoles, o advogado Demóstenes Torres, que representa Gabriel Fucciolo e de Leila Maria de Oliveira, afirmou que a promotora está “tranquila” quanto à tramitação da investigação e que ela é vítima de perseguição política. A defesa também informou que irá responsabilizar criminalmente todos os envolvidos na acusação quando o processo for provada a inocência de mãe e filho.
Golpe do gado
De acordo com a Polícia Civil de Goiás (PCGO), Gabriel procurava os pecuaristas para comprar gado usando cheques sem fundos ou sustados. Ele se apropriava dos animais sem realizar o pagamento aos vendedores e, após o calote, levava as aquisições para a fazenda da mãe dele em Varjão, no interior do estado. Depois disso, o rebanho era leiloado.

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Ver todasA investigação busca levantar as possíveis ligações da promotora em participação, ciência ou apoio direto dela na engrenagem do esquema criminoso e na ocultação dos bens. Até o momento, a polícia estima que cerca de 2,4 mil cabeças de gado foram comercializadas por eles.
Segundo a Polícia Civil, durante as compras, o filho usava a profissão da mãe para gerar confiança. Testemunhas relataram às autoridades que ele falava ao celular fingindo reportar os detalhes técnicos do gado para a promotora, dando a entender que o negócio tinha o aval e a retaguarda financeira dela.
Suposto cheque da promotora
Os elementos apontam, ainda, que o empresário teria utilizado na compra do gado um cheque com indícios de falsificação, em nome de Leila Maria de Oliveira, no valor de R$ 77 mil.
Durante a apuração, a polícia teve acesso a notas fiscais e depoimentos de motoristas que poderiam comprovar que o gado comprado ilicitamente não ia para as terras de Gabriel, mas era desviado sistematicamente para a fazenda de Leila Maria, em Varjão (GO). A suspeita dos investigadores é a de que a propriedade serviu de base para esconder os animais antes da revenda.
As vítimas Luciano Vieira Rossi, Daniel Cristino Paulo, Valdir Aparecido Milanin e Wilson da Costa Filho sofreram prejuízo milionário. O primeiro alega ter levado golpe de R$ 1,2 milhão.
Gabriel também é investigado por lavagem de dinheiro. O advogado que representa as vítimas afirma que confia na Justiça e que busca, também, a reparação patrimonial aos clientes, “que sofreram vultosos prejuízos em decorrência de um esquema ardilosamente planejado”.
“A defesa das vítimas não poupará esforços para que toda a verdade venha à tona e para que o rigor da lei seja aplicado, tanto em relação a Gabriel Fucciolo quanto à sua mãe, a promotora de Justiça Leila Maria de Oliveira, independentemente de cargos ou funções ocupadas por aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para o dano experimentado por cidadãos de boa-fé”, diz o advogado Alexandre Pinto Lourenço.









