Goiás supera 12 mil mortos pela Covid; vacinação ainda é tímida
Secretaria Estadual de Saúde informa que 6,73% da população goiana foi imunizada com 1ª dose contra a doença; em 2ª dose, apenas 1,8%

Goiânia – Com apenas 1,85% de sua população imunizada com a segunda dose da vacina contra a Covid-19, Goiás ultrapassou, no final da tarde desta segunda-feira (5/4), a marca dos 12 mil mortos pela doença, três dias depois de o estado receber a maior remessa de imunização. A marca de mil novos mortos foi superada no segundo menor tempo desde o início da pandemia.
A estatística letal da crise sanitária, porém, é incapaz de quantificar o que imensurável: a dor, tristeza e desolação de famílias e amigos das vítimas, além do sentimento de vazio e luto profundos deixado entre todas as pessoas próximas a elas.
Não há fórmula matemática que consiga interpretar a devastação que a Covid provocou entre familiares como os do locutor Ivan Alves Diniz, de 57 anos, morto por complicações da doença, no último domingo (4/3), em Rio Verde, sudoeste de Goiás.
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A esposa do locutor, Rose Diniz, três filhos e o neto também estão com coronavírus, mas se recuperam em casa. No sábado (3/4), o locutor teve de ser intubado, pois o estado de saúde dele passou para gravíssimo.
Ele morreu após sofrer parada cardíaca e os rins paralisarem. Como os shows foram suspensos por causa da pandemia, vendia hambúrgueres, antes de ser internado.
“Seus versos, poemas, sua história, sempre estarão vivos no rodeio brasileiro”, escreveu o cantor Jota Lenon, em meio a centenas de homenagens nas redes sociais para o locutor, que era conhecido como “poeta do rodeio”.
O Sindicato Rural de Rio Verde se solidarizou com familiares e disse que o locutor “deixa um legado e uma história pelo rodeio brasileiro”. “Ele, por inúmeras vezes, abrilhantou a arena do rodeio de Rio Verde. Nossos sentimentos a familiares e amigos”.
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O Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação de Goiás (Sindicom) também publicou homenagem para o locutor nas redes sociais e fez um alerta sobre a gravidade da Covid. “Se cuidem, essa doença não é brincadeira”.
O governador Ronaldo Caiado (DEM) também tem usado suas redes sociais para prestar homenagens a vítimas de Covid em Goiás. Entre as mais recentes, estão o policial civil Juliano Telles Alves, de 37, o policial militar Raimundo Nonato de Castro, de 56, e o motorista Clemente de Paula Ferreira, que não teve idade divulgada.
“São perdas irreparáveis. Minha solidariedade a todos os familiares e amigos. Que Deus nos ilumine e nos conforte nesse momento de dor”, escreveu o governador, no Instagram. Os três morreram no final de semana.
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Além de continuar em situação de calamidade em relação à doença, conforme avaliação da própria Secretaria Estadual de Saúde (SES), Goiás alcançou o segundo menor tempo com o qual se atingiu a marca de 1 mil mortos por Covid desde o início da pandemia.
De mil em mil
A seguir, veja a evolução cronológica de 1 mil mortes de Covid registradas em Goiás.
- 26 de março: 1ª morte
- 7 de julho: 1000 mortes (103 dias depois)
- 27 de julho: 2 mil mortes (20 dias depois)
- 13 de agosto: 3 mil mortes (17 dias depois)
- 31 de agosto: 4 mil mortes (18 dias depois)
- 19 de setembro: 5 mil mortes (19 dias depois)
- 19 de outubro: 6 mil mortes (30 dias depois)
- 11 de janeiro: 7 mil mortes (84 dias depois)
- 15 de fevereiro: 8 mil mortes (35 dias depois)
- 8 de março: 9 mil mortes (21 dias depois)
- 17 de março: 10 mil mortes (9 dias depois)
- 26 de março: 11 mil mortes (9 dias depois)
- 5 de abril: 12 mil mortes (10 dias depois)
Os recordes de mil mortes pela doença em menos tempo foram registrados nos dias 17 e 26 de março, datas em que foram alcançados 10 mil e 11 mil mortos por Covid, respectivamente. As duas marcas levaram apenas nove dias para serem atingidas.
O número de 12 mil mortos, porém, levou 10 dias para ser superado, em relação à marca anterior, conforme monitoramento do Metrópoles, com base em dados divulgados pela SES.
Aliados do vírus
Além do desrespeito a protocolos sanitários recomendados por autoridades de saúde, o coronavírus tem como forte aliada a lenta campanha de vacinação em todo o país. Em Goiás, não é diferente.
Na última sexta-feira (2/4), durante feriado prolongado da Semana Santa, o estado recebeu nova remessa com 266,8mil doses de vacinas, a maior desde o início da pandemia
Ao longo desta semana, 241,8 mil pessoas receberão segundas doses da Coronavac e outras 25 mil, da AstraZeneca. Em todo o estado, apenas 472.592 pessoas receberam (6,73%) a primeira dose e outras 129.568 (1,85%), a segunda.
“Essas doses, segundo recomendação do Ministério da Saúde, serão utilizadas para fazer as segundas doses das últimas duas remessas que havíamos utilizado, todas, como primeira dose”, explicou o secretário estadual de Saúde, Ismael Alexandrinho. “É um lote significativo, grande, importante”, acrescentou.
Primeiras vítimas e vacinadas
A idosa Maria Lopes, de 66 anos, foi a primeira vítima da Covid em Goiás. Ela morreu, em 26 de março de 2020, no Hospital de Doenças Tropicais (HDT), em Goiânia. Morava em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, e sofria de hipertensão, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica, além de ter dengue pouco antes da Covid-19.
Somente dez meses depois, em 18 de janeiro deste ano, Goiás e todo o país iniciaram a campanha de vacinação contra a Covid-19. A idosa Maria da Conceição, de 73, moradora de um abrigo em Anápolis, a 60 quilômetros de Goiânia, recebeu a primeira dose no estado.
Um dia antes, a campanha de vacinação contra Covid teve início no Brasil, com a aplicação da primeira dose na enfermeira Mônica Calazans, de 54. No país, a primeira vítima foi uma paciente de 57 anos, que estava internada no Hospital Municipal Doutor Carmino Cariccio, em São Paulo.

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