Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

GO: após 14 anos de espera, caso Davi Sebba começa a ser julgado nesta 5ª

Julgamento dos policiais acusados pela morte do advogado está marcado para os dias 1º e 2 de outubro, em Goiânia; família mantém mobilização

01/10/2026 04:30
Reprodução
imagem colorida advogado davi sebba

Goiânia – Quatorze anos depois da morte de Davi Sebba, o caso que mobilizou a familiares e atravessou diferentes instâncias do Judiciário chega a uma etapa decisiva. O Tribunal do Júri que vai julgar os três policiais acusados pela morte do advogado está marcado para os dias 1º e 2 de outubro (quinta e sexta-feira), na capital goiana.

Davi foi morto aos 38 anos, com um tiro no peito em 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado na cidade. Na ocasião, ele havia saído para comprar fraldas para o filho, que estava prestes a nascer. A esposa de Davi estava internada em uma maternidade, e o bebê, Gabriel Davi, nasceu pouco depois da morte do pai.

São réus no processo Jonathas Atenevir Jordão, ex-policial militar, e os policiais militares Edinailton Pereira de Souza e Luiz Frederico de Oliveira. A decisão para que os três fossem submetidos ao Tribunal do Júri foi tomada após uma longa tramitação judicial e recursos apresentados pelas defesas. Em 2023, a Justiça determinou que os três fossem julgados pelo júri popular.

GO: após 14 anos de espera, caso Davi Sebba começa a ser julgado nesta 5ª - destaque galeria
3 imagens
O filho de Davi nasceu horas após a morte do pai
Ele era advogado
Davi Sebba tinha 38 anos quando morreu com um tiro no peito, no estacionamento de um supermercado, em Goiânia
1 de 3

Davi Sebba tinha 38 anos quando morreu com um tiro no peito, no estacionamento de um supermercado, em Goiânia

Arquivo pessoal/Pedro Ivo
O filho de Davi nasceu horas após a morte do pai
2 de 3

O filho de Davi nasceu horas após a morte do pai

Arquivo pessoal/Pedro Ivo
Ele era advogado
3 de 3

Ele era advogado

Arquivo pessoal/Pedro Ivo

Mais de uma década de espera

Desde 2012, a família de Davi acompanha o processo em busca de uma resposta judicial. Ao longo dos anos, o caso passou por diferentes decisões e recursos, fazendo com que o julgamento fosse adiado diversas vezes.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Em 2025, quando a morte do advogado completou 13 anos, familiares ainda lamentavam a ausência de uma definição. Segundo relatos divulgados à época, mais de 20 recursos haviam sido apresentados ao longo da tramitação do processo. Agora, com a proximidade do julgamento, a família voltou a intensificar a mobilização para que a história de Davi não seja esquecida.

Além das redes sociais, familiares e amigos espalharam 15 outdoors por diferentes pontos de Goiânia, levando a imagem e o nome de Davi para as ruas da cidade. A iniciativa busca chamar a atenção da população para a proximidade do júri e para uma história que, segundo eles, não pode desaparecer em meio aos anos de tramitação judicial.

A mobilização também ganhou espaço nas redes por meio do perfil “Davi Sebba Presente”, criado para reunir informações sobre o caso e manter viva a memória do advogado.


Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Expectativa pela condenação

Ao Metrópoles, o irmão da vítima, Pedro Ivo, disse que a expectativa da família em relação ao julgamento é grande. “Estamos esperando há 14 anos uma resposta que até agora não veio”. De acordo com o irmão, os familiares esperam a condenação dos policiais.

“Davi foi vítima de violência institucional, violência policial, num crime covarde praticado por policiais militares, que o abordaram de forma a executar uma emboscada e mataram o Davi com um tiro no peito, um tiro que atravessou o coração e o matou instantaneamente. Não havia nenhuma razão para essa abordagem do Davi, de forma tão violenta, que gerou sua morte de forma injustificada. Davi era advogado e estava naquele dia na expectativa do nascimento do seu primeiro filho, sua esposa o aguardando em casa para levar fraldas e os mantimentos, as últimas providências para levá-la à maternidade e ela não teve a oportunidade de ser levada por ele e ele não teve a oportunidade de conhecer o filho”, diz Pedro Ivo.

Conforme o relato do irmão, a família já recebeu intimidações e ameaças feitas por membros da Polícia Militar. “Nunca quisemos vingança contra os assassinos do Davi, ao contrário, queremos que eles sejam alvo de um julgamento justo, o que o Davi não teve oportunidade de ter e que possam se defender, mas que sejam, sim, condenados nas penas dos crimes que cometeram. A sociedade goianiense também é vítima de um crime tão bárbaro. A polícia deveria promover segurança e não a sensação de medo”, completa ele.

Ainda segundo Pedro Ivo, Davi era uma pessoa pacífica. “Um advogado que prezava pelo cumprimento da lei, sem nenhum antecedente criminal, nunca foi alvo de nenhum processo, acusação muito menos condenação. Ele foi abordado de forma completamente violenta e abusiva, morto sem qualquer chance de defesa”, reforça.

O que consta no processo

Segundo informações reunidas durante a investigação, Davi foi abordado por policiais militares que estavam à paisana. A versão apresentada inicialmente pelos agentes era de que o advogado teria reagido à abordagem e feito um movimento para alcançar uma arma.

Elementos da perícia, contudo, foram utilizados pela acusação para contestar essa versão. Conforme informações divulgadas sobre o processo, laudos indicaram que as duas mãos de Davi estavam no volante no momento em que ele foi atingido. Também houve questionamentos sobre a arma encontrada no veículo e sobre alterações na cena do crime.

A família sustenta que Davi foi vítima de uma execução e que a cena do crime foi alterada. Essas são teses apresentadas no processo e deverão ser analisadas pelo Tribunal do Júri.

Os acusados respondem por crimes relacionados ao homicídio e, conforme a tramitação processual, também por acusações envolvendo porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada, fraude processual e usurpação de função pública.

O júri, inicialmente previsto para setembro, foi remarcado para 1º e 2 de outubro pelo juiz Antônio Fernandes de Oliveira, em razão da necessidade de readequação da pauta de julgamentos.