Galípolo: críticas ao Pix são "desculpa" dos EUA para impor tarifas
Presidente do Banco Central alega que EUA usam de argumentos contra o Pix apenas para ter pretxto que justifique a aplicação de tarifas

Para o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, o governo dos Estados Unidos utiliza de argumentos contra o Pix apenas para ter pretexto que legitime a lógica por trás da aplicação de tarifas aos produtos brasileiros.
“Os argumentos contra o Pix são uma desculpa para criar uma lógica para tarifas”, afirmou o presidente do BC em coletiva de imprensa ao lado de representantes do governo federal, nesta quinta-feira (16/7). “Vou usar uma metáfora para tentar mostrar o quão pouco sentido faz: seria o mesmo que dizer que o saneamento básico prejudica quem tem caminhão pipa”.
Ainda de acordo com Galípolo, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro não pode ser considerado como uma barreira ao comércio e às empresas norte-americanas, como alega a investigação conduzida Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para justificar a nova tarifa.
“Quando a gente insere o Pix no mercado, quem perde espaço é o dinheiro físico e o cheque, o que é extremamente benéfico para a sociedade”, argumentou o presidente.
Apesar dos ataques ao Pix, ele assegurou que o Banco central seguirá sempre fornecendo o sistema de transferência como algo “gratuito, seguro e instantâneo.”
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAlém de Galípolo, participaram da coletiva o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), os ministros Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Dario Durigan (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), João Paulo Capobianco (Meia Ambiente) e a secretária de Justiça, Maria Rosa Guimarães.
Tarifaço contra produtos brasileiros
- Na noite da última quinta-feira (15/7), os EUA decidiram taxar as exportações brasileiras em 25% após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras.
- Após a conclusão da investigação, o governo brasileiro tentou negociar com representantes americanos, no entanto, o diálogo entre as equipes não resultou em reversão das taxas.
- O governo do Brasil se pronunciou sobre o assunto e condenou a imposição de tarifas, chamando a medida de desproporcional e inaceitável.
- O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia antecipado a possibilidade de utilização da Lei de Reciprocidade caso as tarifas fossem efetivadas. O que foi confirmado em nota divulgada pela Presidência da República.
- “O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”, afirmou o texto.
Isenções
Apesar da tarifa geral sobre produtos brasileiros, o documento que oficializa a nova taxação apresenta uma lista detalhada de isenções. Entre os itens que não serão taxados, se destacam, por exemplo, alimentos como café, mel orgânico, açaí, carne bovina, laranja, terras-raras e outros.

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Ver todasJá entre os produtos taxados, estão: etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, produtos químicos diversos, papel, açúcar e outros.
Veja os produtos que serão impactados:
- Produtos industriais e máquinas: maquinário agrícola, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem e componentes de borracha para veículos.
- Bens de consumo: calçados, vestuário e papel.
- Commodities e alimentos: etanol, açúcar orgânico e molduras de madeira.
- Celulose de dissolução: celulose de dissolução de alta pureza, que foi removida da lista de isenções proposta anteriormente.
- Produtos químicos de uso geral: certas substâncias químicas (como celulose e fosfoaminolipídeos) só estão isentas quando destinadas a aplicações farmacêuticas; o uso dessas mesmas substâncias em outras indústrias será taxado.
Governo brasileiro promete retaliação
Ainda durante a noite, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que vai acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, que o autoriza o Brasil a retaliar ou aplicar sobretaxas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais unilaterais aos produtos brasileiros.
Em nota, o governo federal também lamentou a decisão dos EUA e disse que o episódio ficará marcado na história das relações entre os dois países.
“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável. O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros”, diz o texto.
Durante a coletiva de imprensa desta quinta, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que o governo federal vai lançar um programa de apoio para os setores econômicos que forem prejudicados pelo tarifaço dos Estados Unidos.
A medida também faz parte do pacote de respostas do Brasil contra a decisão do governo do presidente Donald Trump.













