Funaro confirma que Joesley o pagou para permanecer em silêncio
Delação do operador financeiro do PMDB sobre esquema investigado pela Operação Lava Jato pode motivar nova denúncia contra Michel Temer
atualizado
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Apontado como operador financeiro do PMDB, o corretor Lúcio Bolonha Funaro confirmou, em delação premiada, que recebeu dinheiro do empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, para permanecer em silêncio. O objetivo do executivo era impedir Funaro de revelar esquemas de corrupção e movimentação ilegal de recursos envolvendo alguns dos principais políticos do Brasil. Entre eles, o presidente Michel Temer (PMDB-SP).
A informação, um dos principais detalhes do depoimento de Funaro, deve encorpar uma possível segunda denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer. As informações são do jornal O Globo.
Em depoimento à Polícia Federal no mês passado, antes de firmar acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF), Funaro confirmou os pagamentos. Porém, alegou que se tratava da quitação de uma dívida antiga. O corretor teria dinheiro a receber de Joesley por, supostamente, haver intermediado negócios da JBS.Entretanto, investigadores não acreditaram na justificativa. Eles entenderam que a afirmação se chocava com a versão do empresário. Após decidir colaborar com a investigação, Funaro revisou declarações anteriores e endossou a narrativa do dono da JBS.
Delação
A delação premiada de Funaro foi devolvida pelo ministro Edson Fachin à Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta quarta-feira (30/8). Segundo o pedido, o retorno é para que sejam feitos “ajustes” antes da homologação no Supremo Tribunal Federal (STF).
O conteúdo dos depoimentos ainda está em sigilo, porém já se sabe que Funaro contou como funcionavam os pagamentos indevidos usando o fundo de investimentos FI-FGTS, da Caixa Econômica Federal. Funaro é apontado como operador financeiro do PMDB no esquema investigado pela Operação Lava Jato e tem informações sobre diversos políticos da sigla, alguns deles com foro privilegiado.
Em sua lista, constam o presidente Michel Temer; o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha; o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco; e o ex-ministro Geddel Vieira Lima – todos do PMDB – além do empresário Ricardo Leal, um dos apoiadores destacados pelo governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), com o objetivo de arrecadar recursos para a campanha em 2014.