“Flávio Bolsonaro só atrapalha o Brasil”, diz ministro sobre tarifaço

José Guimarães reagiu à conclusão da investigação dos EUA que propõe taxar em 25% importações brasileiras para punir práticas “desleais”

atualizado

metropoles.com

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Gil Ferreira / SRI-PR
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1 de 1 ministro-jose-guimaraes - Foto: Gil Ferreira / SRI-PR

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, reagiu nesta nesta terça-feira (2/6) à conclusão da investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que propõe taxar em 25% as importações brasileiras como forma de punir práticas consideradas “desleais” pela gestão de Donald Trump. E pôs a culpa no senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Ao ser abordado por jornalistas na entrada do prédio da Vice-Presidência da República, no Palácio do Planalto, Guimarães declarou que o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “só atrapalha o Brasil”.

O chefe da articulação política de Lula está reunido nesta manhã com o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Dario Durigan (Fazenda) para discutir o assunto.

Segundo fontes do governo, as autoridades presentes no encontro vão bater o martelo sobre uma nota oficial em resposta ao relatório e às acusações dos EUA. O texto deve adotar tom político.

A gestão Lula vê a ameaça de taxação como uma questão política, ou seja, não econômica, pois já apresentou toda as respostas aos pontos questionados na investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Na proposta, o governo norte-americano faz uma série de críticas ao sistema de pagamento instantâneo brasileiro, o Pix, e ao Banco Central, entre outros pontos.

A investigação foi aberta em 15 de julho de 2025 por determinação de Donald Trump. O prazo legal para definição e eventual implementação das medidas termina em 15 de julho deste ano. Agora, o resultado da investigação será submetido a audiências públicas — a primeira está marcada para 6 de julho. A decisão final sobre a adoção do tarifaço caberá ao presidente dos EUA.

Um grupo de trabalho bilateral, criado após reunião entre Lula e Trump na Casa Branca, em 7 de maio, previa encerrar as negociações até a próxima sexta-feira (5/6), mas não houve avanços suficientes. Antes da divulgação do relatório final, o USTR havia destacado o “engajamento construtivo” do governo brasileiro e manifestado expectativa de continuidade das negociações.

Nas redes sociais, aliados de Lula voltaram a usar o mote “o Pix é do Brasil” e passaram a acusar Flávio Bolsonaro de estimular ações do governo Trump contra o país. Flávio se reuniu com Trump na Casa Branca na semana passada, dois dias antes de o governo norte-americano anunciar que classificará as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.

“Pix desleal”

De acordo com o relatório final do USTR, seis áreas prioritárias foram alvo de críticas: comércio digital, serviços de pagamento, acordos tarifários, desmatamento, etanol, propriedade intelectual e combate à corrupção.

A investigação concluiu que determinados atos, políticas e práticas do Brasil são “irracionais ou discriminatórios” e oneram ou restringem o comércio dos EUA, podendo, portanto, ser alvo de medidas. Para isso, o governo norte-americano se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

O documento aponta que o Pix cria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que oferecem serviços de pagamento digital. Segundo o relatório, o Brasil discriminaria fornecedores norte-americanos ao conceder benefícios como maior disponibilidade, visibilidade e limites de tarifas ao sistema nacional. “É injusto exigir que concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites de taxas”, afirma trecho do texto.

O relatório também reconhece a rápida adoção do Pix pela população e pelo comércio desde seu lançamento, destacando a redução de custos de transação e a ampliação da inclusão financeira. Ainda assim, dedica parte substancial à análise de possíveis assimetrias competitivas regulatórias.

A principal crítica é o fato de o Pix ser um sistema estatal e centralizado, o que, segundo o USTR, pode limitar a atuação de soluções privadas internacionais no país.

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