Filha de ex do vereador Dr. Jairinho é ouvida sobre suposta agressão

"Hoje não consigo olhar no olho da minha filha por tudo o que ele fez e eu não vi", disse mãe de menina, que teria sido vítima do vereador

atualizado 25/03/2021 21:20

Leniel e Henry BorelReprodução redes sociais

Rio de Janeiro – A acusação de violência de uma ex-namorada do vereador e médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), será investigada pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), no centro do Rio de Janeiro.  O caso surgiu depois da morte de Henry Borel Medeiros, de 4 anos, no último dia 8. Ele foi socorrido pela mãe, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva, e Jairinho, padrasto do menino. Eles alegam acidente doméstico, mas laudo de necrópsia aponta para morte violenta.

A mulher acusa o vereador de ter sido violento com a filha dela quando a menina tinha 4 anos. Eles estão separados há, pelo menos, oito. Em depoimento à 16ª DP (Barra da Tijuca), a ex de Dr. Jairinho diz ter se sentido ameaçada após ele ter ligado para a mãe dela, há alguns dias, depois de anos sem contato.

Agentes da DCAV ouviram, nesta quarta-feira (24/3), o depoimento da jovem, hoje com 13 anos. Na conversa, que foi filmado e acompanhada por um psicólogo da polícia, a menina relatou diversas agressões que teria sofrido durante o relacionamento da mãe com o político.

Segundo o G1, André França Barreto, advogado do vereador, afirmou que a mãe da adolescente perseguia Dr. Jairinho.

Contato com pai de Henry

No dia 18 de março, 10 dias depois da morte de Henry, a ex-namorada do vereador usou uma rede social para entrar em contato com Leniel Borel de Almeida, pai do menino morto.

A mulher disse ter sido negligente quando a violência aconteceu com a filha e alegou que, na época, teve medo de denunciar.

“Passei os piores dias da minha vida com ele. Hoje não consigo olhar no olho da minha filha por tudo o que ele fez e eu não vi. Não percebi. Ela tinha a idade do seu pequeno, 4 anos, eu me culpo todos os dias da minha vida”, escreveu para Leniel Borel.

O advogado do vereador diz que a testemunha é suspeita porque foi apresentada à polícia pela defesa do pai do Henry.

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Entenda o caso

O menino Henry Borel Medeiros morreu no último dia 8 de março, em um hospital da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Segundo Leniel Borel, ele e o filho passaram um fim de semana normal. Por volta das 19h do dia 7, o pai o levou de volta para casa, onde morava com a mãe, Monique Medeiros da Costa e Silva de Almeida, e com o vereador e médico Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade).

Ainda segundo o pai de Henry, por volta das 4h30 do dia 8, ele recebeu uma ligação de Monique falando que estava levando o filho para o hospital, porque o menino apresentava dificuldades para respirar.

Leniel afirma que viu os médicos tentando reanimar o pequeno Henry, sem sucesso. O menino morreu às 5h42, segundo boletim de ocorrência registrado pelo pai da criança.

De acordo com o laudo de exame de necrópsia, a causa da morte do menino foi hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente. Para especialistas, ação contundente seria agressão.

Investigações

Como parte da investigação da morte de Henry, agentes da 16ª DP (Barra da Tijuca) fizeram uma espécie de reconstituição do último dia do menino, no domingo, quando estava em companhia do pai. Eles recolheram imagens de câmeras do circuito interno de um shopping, onde o garoto foi a um parquinho, e do condomínio em que Leniel Borel morava.

Segundo os investigadores, o menino chegou aparentemente saudável aos locais. A polícia também ouviu testemunhas em ambos os lugares.

No dia 17, Monique e Dr. Jairinho foram ouvidos, separadamente, por cerca de 12 horas na 16ª DP. De acordo com a polícia, a mãe e o namorado só foram ouvidos nove dias depois do crime porque Monique estaria em estado de choque, sob efeito de medicamentos.

No depoimento deles, ambos afirmaram que estavam em um quarto vendo série e, quando foram dormir, a mãe encontrou Henry caído no chão, ao lado da cama, com as extremidades frias e com dificuldade para respirar. Monique disse à polícia que acredita que o menino tenha caído da cama antes de morrer.

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