Fazenda reúne assessoria internacional antes da ida de Lula aos EUA
Pasta abriga várias pautas que podem ser objeto de conversa entre Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se com membros da assessoria internacional da pasta nesta terça-feira (5/5). O encontro registrado na agenda oficial ocorre às vésperas da ida do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aos Estados Unidos para se encontrar com Donald Trump.
A agenda de Durigan nesta terça previa uma reunião de “despacho interno” das 14h às 15h com o chefe de gabinete, Fabio Henrique Bittes Terra; o subsecretário de Finanças Internacionais e Cooperação Econômica, Flávio Luis Pazeto; e o secretário de Assuntos Internacionais da pasta, Mathias Jourdain de Alencastro.

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Ver todasA previsão é de que Lula se encontre com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington na próxima quinta-feira (7/5). A visita estava prevista inicialmente para março, mas acabou não ocorrendo, principalmente por causa da guerra no Oriente Médio.
A pauta do encontro não foi divulgada pelas autoridades.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDurigan esteve nos EUA em meados de abril para uma série de encontros com pares de outros países e também autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
Pautas entre os dois países
Um dos destaques da série de reuniões de Durigan nos EUA foram encontros com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent.
De acordo com Durigan, os diálogos tiveram como temas a cooperação internacional entre os países, que selaram um acordo de combate ao crime organizado, além de stablecoins, moedas digitais lastreadas em moedas existentes, e inteligência artificial (IA).
O Brasil tem outras pautas que envolvem a Fazenda para tratar com os norte-americanos. Os EUA abriram uma apuração com base na Seção 301 da lei comercial norte-americana, instrumento que pode embasar a adoção de medidas tarifárias contra o país.
A investigação aberta inclui Pix, etanol e propriedade intelectual. O assunto foi tema de reunião entre autoridades brasileiras e norte-americanas no último dia 16.
Seção 301 da Lei Comercial dos Estados Unidos
- A investigação será conduzida sob a Seção 301 da Lei Comercial dos Estados Unidos, um instrumento que permite investigações caso os direitos dos EUA sob qualquer acordo forem negados e se uma prática de um governo estrangeiro violar ou prejudicar de forma irregular o comércio dos norte-americanos.
- A medida é, normalmente, utilizada em casos excepcionais para construir casos e buscar soluções de controvérsias na Organização Mundial do Comércio (OMC).
As apurações foram abertas em 15 de julho do ano passado. A investigação é conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) e analisa medidas adotadas pelo governo do presidente Lula, que possam prejudicar empresas de tecnologia estadunidenses.
À época da abertura da apuração, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que a investigação seria iniciada com base nos “ataques do Brasil contra as empresas americanas de mídias sociais, além de outras práticas comerciais desleais que afetam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos dos Estados Unidos”.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa do Ministério da Fazenda para saber o tema da reunião desta terça, mas ainda não houve resposta.
O governo federal tentou pavimentar um caminho no Congresso Nacional para fazer avançar um maior controle das bigtechs, algo que desagrada o governo norte-americano.
No Cade
O Google e a Meta, dona do Facebook e do WhatsApp, são alvo de duas ações distintas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O Cade decidiu, em 23/4, abrir um processo administrativo contra o Google por suposto “abuso exploratório de posição dominante” no uso de notícias por ferramentas de inteligência artificial.
No caso da Meta, o tribunal do Cade deliberou pela manutenção de uma multa diária contra a bigtech. O motivo é a restrição pela Meta no WhatsApp Business a chatbots de IA a usuários brasileiros.
O valor é de R$ 250 mil. O Metrópoles apurou que a multa foi suspensa.



