Fazenda relaciona juro elevado com desaceleração do PIB de 2025
Economia brasileira cresceu 2,3% em 2025, índice que demonstra perda de ritmo diante do avanço de 3,4% em 2024
atualizado
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O Ministério da Fazenda destacou que a desaceleração da economia em 2025, com crescimento de 2,3% ante 3,4% em 2024, tem relação direta com os juros, considerados pela pasta como elevados no Brasil.
“Esse movimento indica que a política monetária contracionista exerceu impacto relevante sobre a atividade, contribuindo para o fechamento do hiato do produto, conforme estimativas da SPE”, informou o ministério em nota técnica elaborada pela Secretaria de Política Econômica (SPE).
A taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 15% ao ano. O patamar é definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC).
A crítica ao atual patamar da taxa de juros da economia não é algo novo por parte da Fazenda.
Em entrevista coletiva, em novembro passado, o secretário de Política Econômica da Fazenda, Guilherme Mello, apresentou números que demonstravam a redução no crescimento da economia e projeção da inflação, bem como queda no ritmo de geração de empregos.
O entendimento de Mello era que os números indicavam a “convergência da inflação para a meta”, ou seja, um argumento para que o Copom baixasse os juros, uma vez que a Selic é utilizada para controlar a inflação no país.
“Essa trajetória é compatível, portanto, com uma flexibilização da política monetária, porque hoje ela está no campo significativamente ou extremamente restritivo”, afirmou Mello.
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou, no último dia 6, a necessidade de baixar os juros no país. “Nós temos de ir para o juro de um dígito e nunca mais pensar em juro de dois dígitos no Brasil”, defendeu.
Os juros elevados funcionam como uma espécie de freio à economia. O objetivo é segurar um crescimento desequilibrado que leve a aumento na inflação.
Com juros mais elevados, a concessão de empréstimos e financiamentos ficam menos atrativos, ou seja, reduz-se a circulação de dinheiro e a movimentação na economia. Com menos dinheiro em circulação, a tendência é que o consumo diminua. A menor procura por produtos e serviços tende a controlar os preços, assim a inflação fica mais comportada.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) também associa o desempenho mais modesto do crescimento econômico aos juros praticados no Brasil.
“O Banco Central sustentou o movimento de alta da Taxa Selic ao longo de boa parte do ano passado, chegando ao maior patamar dos últimos 20 anos. A CNC projeta um ciclo de redução da taxa a partir do primeiro semestre de 2026, fator que deve gerar efeito positivo nos indicadores da economia”, analisa o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes.
o Banco Central sustentou o movimento de alta da Taxa Selic ao longo de boa parte do ano passado, chegando ao maior patamar dos últimos 20 anos. A CNC projeta um ciclo de redução da taxa a partir do primeiro semestre de 2026, fator que deve gerar efeito positivo nos indicadores da economia
Na última reunião, o Copom sinalizou o início de cortes na taxa básica de juros da economia, a Selic. O colegiado tem reunião marcada para os próximos dias 17 e 18.
O Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 foi puxado principalmente pela agropecuária, que cresceu 11,7%. Serviços e indústria avançaram 1,8%, e 1,4%, respectivamente. Em valores absolutos, o PIB somou R$ 12,7 trilhões.
Veja as variações do PIB por setores em comparação a 2024:
- Indústria: 1,4%;
- Serviços: 1,8%;
- Agropecuária: 11,7%;
- Consumo das famílias: 1,3%;
- Consumo do governo: 2,1%;
- Investimentos: 2,9%;
- Exportações: 6,2%;
- Importação: 4,5%.
Projeções
O resultado de 2,3% veio em linha com a mediana das projeções. A expectativa do governo era que o índice ficasse em 2,3%. O número foi revisado para cima pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, no último dia 6. A projeção anterior era 2,2%. A previsão do Banco Central também era uma alta de 2,3%.
2026
A economia brasileira deve continuar o processo de desaceleração neste ano. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) espera um crescimento do PIB na casa de 1,6% em 2026, mesmo patamar previsto pelo BC.
O Ministério da Fazenda acredita em um avanço de 2,3% na economia. Já os analistas do mercado ouvidos pelo Banco Central na elaboração do Boletim Focus, indicam avanço de 1,82%.
