Fávaro é exonerado do cargo de ministro para votar relatório da CPMI
Decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial desta sexta-feira, às vésperas da votação do relatório final da CPMI do INSS
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O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD-MT), foi exonerado do cargo nesta sexta-feira (27/3) para voltar ao Senado Federal e participar da votação do relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Fávaro é senador pelo Mato Grosso, mas estava licenciado para exercer o posto na Esplanada dos Ministérios.
A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
O ato do Executivo, porém, não foi informado previamente para a suplente de Fávaro, a senadora Margareth Buzetti (PP-MT). Durante coletiva de imprensa no Congresso nesta sexta, ela disse a jornalistas que soube da decisão do Executivo por meio da publicação no DOU. Buzetti lamentou a mudança, já que vinha participando das sessões do colegiado desde o início do dia.
Estratégia
A medida faz parte de uma estratégia para reforçar a base do governo na comissão e ocorre às vésperas da votação do relatório, que pede o indiciamento do filho do presidente, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
O parecer do relator do colegiado, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), atribuiu a Lulinha uma série de crimes, como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e tráfico de influência. Ele é um dos 218 nomes na lista de pedidos de indiciamentos.
Gaspar afirma que Lulinha não era um “mero conhecido” de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, mas alguém que teria atuado como facilitador de acesso e um possível sócio oculto do lobista.
O parecer ainda será submetido à votação dos membros da comissão. Se for aprovado, o documento será encaminhado a órgãos responsáveis por avaliar e decidir se apresentarão denúncias.
Relatório alternativo
Como parte da reação do governo, a base de Lula decidiu apresentar um relatório final alternativo da comissão, que pedirá o indiciamento do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por suposto tráfico de influência junto ao Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do Rio.
A votação do texto que encerra a CPMI começa nesta sexta, mas deve se estender pelo fim de semana.
