Faremos com os EUA o que eles fizeram conosco, diz Lula após reação da PF
Lula cita reciprocidade após expulsão de delegado da PF, mas diz esperar que os EUA estejam dispostos a conversar e retomar a normalidade
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (22/4) que o Brasil adotará o princípio da reciprocidade nas relações com os Estados Unidos, após a nova crise diplomática envolvendo a expulsão recíproca de agentes ligados à cooperação policial entre os dois países.
“Ou seja, o que eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles, esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, afirmou o presidente.
A declaração ocorreu durante agenda no Palácio da Alvorada, ao lado do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do ministro da Justiça, Wellington César Lima.
Na ocasião, Lula elogiou a atuação da corporação brasileira ao reagir à decisão norte-americana com base no princípio da reciprocidade — prática comum na diplomacia que prevê respostas equivalentes entre Estados.
Entenda a crise
- O impasse teve início após o governo de Donald Trump determinar a retirada do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava como oficial de ligação junto ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos.
- A função fazia parte de um acordo bilateral de cooperação entre os países.
- Segundo autoridades norte-americanas, o delegado teria tentado “manipular o sistema de imigração” para contornar procedimentos formais de extradição.
- A acusação foi rechaçada pelo governo brasileiro, que interpretou a medida como uma quebra de confiança nas relações institucionais.
- Em resposta, a Polícia Federal retirou as credenciais de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava dentro da corporação, em Brasília.
- A decisão foi justificada justamente pelo princípio da reciprocidade, com o objetivo de manter equilíbrio no tratamento entre os países.
Determinei hoje a contratação de 1.000 novos policiais federais, porque a segurança das famílias brasileiras e o combate ao crime não podem esperar. E porque a nossa PF merece estar cada dia mais forte, mais presente e mais atuante.
Apenas no ano passado, a PF conseguiu retirar… pic.twitter.com/rGQSbTxeQY
— Lula (@LulaOficial) April 22, 2026
A crise está diretamente ligada à detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem em território norte-americano. Considerado foragido pela Justiça brasileira, ele foi alvo de um pedido de extradição e chegou a ser preso com base na cooperação entre Brasil e EUA.
No entanto, Ramagem foi liberado dois dias depois sem comunicação prévia às autoridades brasileiras. Segundo os Estados Unidos, a decisão ocorreu no âmbito de verificação migratória, e o ex-deputado poderá permanecer no país enquanto aguarda análise de um pedido de asilo.
Reação do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores criticou duramente a conduta norte-americana. Em nota, o Itamaraty afirmou que a retirada do delegado brasileiro não seguiu a “boa prática diplomática” e ocorreu sem aviso prévio ou pedido de esclarecimentos.
Segundo o órgão, o policial brasileiro atuava de forma oficial e amparada por memorandos de entendimento firmados entre os países, o que reforça a avaliação de quebra de protocolo por parte dos Estados Unidos.










