Delegado da PF expulso dos EUA já estava com saída programada do país
Diretor-geral da PF havia nomeado uma substituta para atuar no ICE em 20 de março
atualizado
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O delegado de Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, expulso dos Estados Unidos após a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, já estava com a saída programada do país por determinação do próprio diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O chefe da corporação assinou a nomeação da delegada Tatiana Alves Torres para atuar como oficial de ligação no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), em substituição a Marcelo Ivo, em uma portaria de 17 de março. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) três dias depois.
A missão terá duração de dois anos. Entre as atribuições do cargo estão a intermediação na troca de informações entre Brasil e EUA e o apoio a investigações conjuntas.
Apesar da nomeação, a permanência Marcelo Ivo no cargo, que ele ocupava desde 2023, iria até agosto. Ele teve a volta adiantada após as autoridades norte-americanas o acusarem de “contornar pedidos de extradição”.
Entenda o caso
- O episódio está ligado à detenção, na semana passada, do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos.
- Considerado foragido pela Justiça brasileira, ele havia sido alvo de um pedido de extradição.
- A Polícia Federal afirmou que a prisão ocorreu com base na cooperação entre os dois países.
- Já os EUA sustentam que a abordagem ocorreu após verificação do status migratório.
- Ramagem foi liberado dois dias depois, sem aviso prévio às autoridades brasileiras.
- Segundo os EUA, o ex-deputado poderá permanecer em solo norte-americano, enquanto aguarda resposta ao pedido de asilo.
- Ao justificar a expulsão do delegado da PF, o Departamento de Estado americano acusou o brasileiro de tentar “manipular o sistema de imigração” para contornar procedimentos formais de extradição.
- A medida foi interpretada pelo governo brasileiro como uma quebra de confiança na cooperação bilateral, ponto que agora está no centro da tensão diplomática.
Prisão de Ramagem
O ex-deputado Alexandre Ramagem, que também foi delegado da PF, foi preso em 13 de abril e encaminhado a um centro de detenção, onde permaneceu em uma cela separada.
Dois dias depois, no entanto, seu nome não constava mais nos registros do sistema prisional nem na base de dados do serviço de imigração.
Segundo o blogueiro Paulo Figueiredo, que acompanha a tramitação do caso, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não precisou pagar fiança para ser liberado.
Ramagem está nos Estados Unidos sem um passaporte válido. Além de avaliar o pedido de asilo, os Estados Unidos também analisam uma solicitação de extradição feita pela Embaixada do Brasil em Washington. Figueiredo disse que a detenção dele não teve a ver com esse pedido.
O parlamentar cassado fugiu para os Estados Unidos em setembro do ano passado, ainda durante o curso da ação no Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele deixou o país pela fronteira com a Guiana, em Bonfim (RR).








