”Faraó dos Bitcoins“: esposa diz que assinou documentos sob ameaça

Defesa de Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, mulher de Glaidson Acácio, anexou um documento feito pelo ex-garçom confirmando as ameaças

atualizado 17/03/2022 12:03

Glaidson Acacio e Mirelis ZerpaReprodução

Rio de Janeiro – Foragida desde agosto do ano passado, a venezuelana Mirelis Yoseline Diaz Zerpa, mulher do “faraó dos Bitcoins”, afirmou que era constantemente ameaçada por Glaidson Acácio dos Santos. O ex-garçom prometia se divorciar e até deportar a esposa caso ela não assinasse documentos.

De acordo com O Globo, as ameaças aconteciam para que a venezuelana  se responsabilizasse pela GAS Consultoria, empresa da qual os dois são sócios. A defesa de Mireles anexou ao processo um termo de declaração em nome de Glaidson, que isenta a venezuelana de responsabilidades pelas atividades da empresa. 

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O casal é réu na Justiça Federal. Glaidson foi preso em agosto do ano passado junto com outros integrantes do grupo. O ex-garçom tenta provar que a esposa foragida não tinha qualquer função de gestão dentro da empresa, mas as investigações provam o contrário.

Na última terça-feira (15/3), Ciro Chagas e André Hespanhol, defesa de Mirelis, apresentaram um documento à Justiça assinado por Glaidson no dia 7 de março. 

“Jamais, a qualquer tempo, foi administradora” da GAS ou “de qualquer outro empreendimento possivelmente vinculado às empresas”, diz um trecho do documento.

Controle negado

Glaidson também reforça a tese que ela nunca possuiu “controle ou acesso às contas bancárias das companhias”. Entretanto, depois da prisão do marido, Mirelis sacou cerca de 1 bilhão de criptomoedas nos Estados Unidos, para onde seguiu após deixar o Brasil, de acordo com as autoridades.

O “faraó dos bitcoins” explica que ela não tinha envolvimento com as operações. No entanto, era o nome de Mirelis que constava em todas as notas promissórias repassadas aos clientes que fechavam contratos de investimento.

“As assinaturas a título de aval estampadas nas notas promissórias elaboradas para os contratos de investimento do empreendimento GAS eram feitas de maneira mecânica, utilizando-se de máquinas para a produção, sem que de fato existisse assinatura dos avalistas, no intuito de otimização do procedimento”, diz o texto. 

A GAS prometia rendimento mensal de 10%, bem acima do mercado formal. Glaidson afirma que para  garantir o nome dela nas notas promissórias, Mirelis era constantemente ameaçada:

“Ela era ameaçada com o divórcio e de que seria enviada de volta ao seu país de origem, Venezuela”. Neste momento, Glaidson explixa no texto o frágil contexto social e político venezuelano.

Mirelis estando lá, seria “forçada a viver o regime totalitário que ali assola”. Era a “condição de parceiros” que permitia à companheira “viver de forma regular dentro do Brasil”, segundo o Faraó.  Ele completa: “Eu a coagia, ameaçando terminar com essa condição”.

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