Família sumida no RS: PM usou IA para simular voz e armar emboscada

O PM Cristiano Domingues, ex-marido de Silvana, teria usado IA para atrair os pais à casa da filha, onde ele os aguardava

atualizado

metropoles.com

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Polícia Civil/Divulgação
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1 de 1 Imagem colorida,família desaparecida no RS- Metrópoles - Foto: Polícia Civil/Divulgação

O policial militar Cristiano Domingues, investigado por envolvimento na morte de três pessoas da família Aguiar, em Cachoeirinha (RS), manipulou áudios com Inteligência Artificial (IA) para simular a voz da ex-companheira Silvana de Aguiar, sumida desde o fim de janeiro.

Até o momento, Silvana e os pais, Dalmira Germann de Aguiar, de 70, e Isail Vieira de Aguiar, de 69, seguem desaparecidos.

Cristiano, ex-marido de Silvana, e outras cinco pessoas foram indiciadas. O PM permanece preso por envolvimento no sumiço da família Aguiar e suspeita de feminicídio contra a ex-esposa.

Dias após Silvana sumir, Cristiano usou o celular dela e gerou a voz da ex-esposa com IA para enviar um áudio aos pais, dizendo que estava tudo bem, apesar de ter sofrido um suposto acidente.

No som manipulado, a voz de Silvana também relata que a casa dela estava sem energia elétrica, uma tentativa de atrair os pais para a residência dela, onde estava o policial militar.

“Mãe, eu me acidentei no carro de uma amiga. Eu fui dar uma volta com ela e capotou o carro. Estamos no hospital” .

Depois, diz: “Oi mãe, oi pai, é a Silvana, cheguei bem em casa, mas dei um probleminha aqui em casa, um fio de luz entrou em curto aqui na sala de casa e quase pegou fogo, pede para o pai vir aqui em casa me dar uma ajuda, será que o pai consegue vir aqui me dar uma ajuda rapidinho? (sic)”.

De acordo com a Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS), Silvana teria desaparecido em 24 de janeiro, e, um dia depois, teria comunicado aos pais sobre o suposto acidente que teria sofrido em Gramado, na Serra Gaúcha.

No entanto, os delegados descartaram esta hipótese, uma vez que, após a prisão do PM, ex de Silvana, eles identificaram que tanto o celular da mulher quanto o de Cristiano encontravam-se na região de Gravataí, também no Rio Grande do Sul, no dia do suposto acidente. 

Na data em que enviou as mensagens adulteradas se passando por Silvana, Cristiano conseguiu atrair o pai dela, Isail Vieira de Aguiar, à casa da filha. Depois disso, ele não foi mais visto. Dias depois, Dalmira também desapareceu.

Caso complexo

A investigação em torno da família começou em 24 de janeiro, após Silvana desaparecer e deixar uma das únicas pistas sobre o sumiço no Instagram. Na rede social, ela fez uma postagem afirmando que havia sofrido um acidente de trânsito, quando voltava de Gramado, município da Serra Gaúcha.

No dia seguinte, Dalmira e Isail foram até a delegacia para registrar ocorrência do desaparecimento da filha. Porém, encontraram a segunda delegacia de Cachoeirinha fechada e foram embora.

Após isso, o casal não foi mais visto, e o mercado de Cachoeirinha, do qual eram proprietários, segue fechado desde 25 de janeiro. Seria neste período que Cristiano e mais cinco pessoas teriam matado a família Aguiar.

Até o momento. o inquérito tem seis prisões, 14 mandados de busca e apreensão cumpridos, além de representações por quebra de sigilo de dados (telefônicos, telemáticos ou bancários). No total, durante o inquérito, foram ouvidas 34 testemunhas.

O inquérito tem mais de 20 mil páginas, e a PCRS prossegue a investigação.

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