Ex-mulher de Dr. Jairinho será ouvida no caso da morte do garoto Henry

Ana Carolina havia denunciado agressões feitas pelo ex-marido em 2014, em inquérito arquivado sem investigação e sem respaldo da Justiça

atualizado 07/04/2021 20:37

Henry Borel MedeirosReprodução redes sociais

Rio de Janeiro – A ex-mulher do vereador Jairo Souza Santos Júnior (Solidariedade), conhecido como Dr. Jairinho, Ana Carolina Ferreira Netto, mãe de dois dos três filhos dele, será ouvida oficialmente no inquérito que apura a morte do enteado do parlamentar, Henry Borel Medeiros, de 4 anos, que faleceu no último dia 8, filho da atual mulher do médico, a professora Monique Medeiros da Costa e Silva.

Únicos no apartamento, o casal sustenta que foi acidente doméstico. Ana Carolina denunciou agressões feitas pelo ex-marido em 2014, em inquérito que foi arquivado sem investigação e sem respaldo da Justiça.

A investigação foi aberta em junho de 2020, quando o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu à 16ª DP (Barra da Tijuca) para apurar supostas agressões do médico contra Ana Carolina.

Em janeiro de 2014, ela foi à delegacia e relatou que fora agredida pelo parlamentar no apartamento do então casal, na Barra da Tijuca, zona este do Rio, por socos e pontapés, no dia 29 de dezembro de 2013, conforme registro de ocorrência ao qual o Metrópoles teve acesso.

A polícia espera, com o depoimento, estabelecer algum padrão de violência na conduta do vereador, uma vez que Ana Carolina declarou que ele sempre foi violento e que o pai de Henry, Lionel Borel, mencionou o medo que Henry nutria pelo padrasto, que “tinha um abraço forte”.

O laudo de necropsia no corpo de Henry aponta a causa da morte do menino por hemorragia interna e laceração hepática, provocada por ação contundente, tratadas como graves e violentas por especialistas, o que reforça a tese de que houve violência no apartamento e não acidente doméstico, como alegou o vereador

O relato da ex-esposa

Na delegacia, Ana Carolina contou que a briga em 2013 aconteceu porque ela teria flagrado o parlamentar na garagem do prédio dentro do carro falando, ao celular, com outra mulher. Já no apartamento em que moravam, na cozinha, ele teria começado as agressões.

“Jairo sempre foi violento. Diversas vezes fui agredida”, contou ela na delegacia, alegando que, certa vez, ele tentou enforcá-la. A última sessão de espancamento, segundo ela, só acabou porque a mãe dela conseguiu deter o vereador. Procurada, Ana Carolina ainda não foi localizada.

Também procurado, o advogado André França, que defende o vereador e a mãe do menino, ainda não retornou.

Entenda o caso Henry

Na terça-feira (23/3), duas funcionárias de Jairinho e da mãe de Henry foram ouvidas. Mais oito testemunhas prestaram depoimentos, entre elas integrantes da equipe médica de um hospital da Barra onde o menino foi socorrido.

Henry morreu no último dia 8 de março, em uma unidade hospitalar da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. Segundo o pai, Leniel Borel, ele e o filho passaram um fim de semana normal. Por volta das 19h do domingo (7/3), o pai o levou de volta para casa, onde morava com a mãe e Jairinho.

Ainda segundo o pai de Henry, por volta das 4h30 de segunda, ele recebeu uma ligação de Monique falando que estava levando o filho ao hospital, porque o menino apresentava dificuldades para respirar.

Ao chegar ao hospital Barra D’Or, Monique e Dr. Jairinho informaram ao pai da criança terem ouvido um “barulho estranho durante a madrugada e, quando foram até o quarto ver o que estava acontecendo, viram que a criança estava com os olhos virados e com dificuldade de respirar”.

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