Ex-mulher de chefe da Universal Music: “Ele dizia que eu estava possuída pelo demônio”

Helena Lima diz que foi internada à força em clínica psiquiátrica do RJ pelo ex-marido, Paulo Lima, presidente da Universal Music no Brasil

atualizado 05/08/2021 10:03

Divulgação e reprodução/ Instagram

Rio de Janeiro –  Helena Tavares de Souza Lima e Paulo Lima foram casados por 24 anos. Ela, escritora. Ele, presidente da gravadora multinacional Universal Music no Brasil.

O fim desta relação teve seu momento mais dramático em 20 de outubro de 2019. Nesta data, a mulher relata ter sido internada à força pelo próprio marido em uma clínica psiquiátrica na zona sul do Rio.

Paulo Lima acabou indiciado nesta semana por cárcere privado. O inquérito com mais de 300 páginas foi encaminhado ao Ministério Público do Rio.

Em entrevista ao Metrópoles, Helena afirmou que Paulo Lima chegou a dizer que ela estava “possuída pelo demônio” ao descrever supostos “transtornos psiquiátricos”.

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Helena permaneceu por 21 dias isolada sob a supervisão de psiquiatras da clínica. Com ajuda externa, obteve uma ordem judicial para sair de lá e denunciou o marido à polícia.

O caso – revelado em maio deste ano pelo colunista Léo Dias, do Metrópoles – se transformou em um inquérito com vários laudos associados à saúde mental de Helena.

Ela alega que se tornou vítima do próprio marido no momento em que decidiu pedir o divórcio, três semanas antes da internação. “Falei com o enfermeiro que me prendeu à maca que eu só queria me separar”, diz Helena, ao descrever o momento em foi conduzida de seu apartamento na Urca, zona sul, para a ambulância estacionada na porta do prédio naquela na tarde do dia 20 de outubro de 2019.

Celular confiscado

Helena conta que, minutos antes, bateu à sua porta uma médica acompanhada por dois enfermeiros. “Ela tomou meu telefone celular. Foi enfática: ‘Estou aqui para te internar. Você escolhe como vai querer sair daqui. Não tenho o dia inteiro’. Perguntei a ela a razão da minha internação. Tentei argumentar. Como assim?!”

Segundo Helena, Lima estava em casa e presenciou a abordagem. “Ele começou a revirar as gavetas para pegar receitas dos medicamentos de um tratamento para emagrecer que eu havia feito”, recorda.

Ela diz que perguntava por que o marido estava fazendo aquilo. Falava que ela “só queria a separação e mais nada”.

Como o prédio não tinha porteiro, ela conta que o próprio Lima acompanhou a saída na maca e abriu a porta do edifício para que os enfermeiros pudessem levá-la para dentro da ambulância.

“Por que estou aqui?”

Helena descreve como foi a chegada na clínica: “Passei por uma revista rigorosa. Me deixaram nua. Olharam até o meu cabelo para checar se havia algo escondido”.

Ela diz que Lima pagava à clínica algo em torno de R$ 30 mil por mês, além de remunerar diretamente um psiquiatra contratado por R$ 1 mil, por dia, para acompanhá-la no local.

“Eu perguntava: qual o meu diagnóstico? Por que estou aqui? Ninguém respondia. Todos os dias me davam um medicamento, às 21h, para eu dormir. Não tinha acesso a nada, telefone, nada. Aí comecei a fingir que tomava o remédio e jogava na privada.”

A mãe e as duas filhas adolescentes de Helena tinham conhecimento da internação. Chegaram a visitá-la na clínica, assim como Lima.

“Minha mãe era contra a separação. Não nos falamos mais (desde o episódio da internação)”.

Um novo amor

Helena estava apaixonada por outro homem. Por intermédio de uma pessoa que conheceu na clínica, ela conseguiu avisar o namorado sobre sua situação. Ele, por sua vez, contratou uma advogada que conseguiu a autorização judicial para encerrar a internação.

“Paulo (Lima) entrou no meu e-mail e encontrou mensagens (após o pedido de divórcio). Ele pinçou palavras da nossa conversa, de brincadeiras, para dizer que eu estava possuída pelo demônio e fazendo uso de drogas.”

Em depoimento anexado ao inquérito, o psiquiatra e psicanalista Manoel Castro Sá, que atendia Helena há três anos, afirmou que sua paciente não usava psicofármacos e não apresentava qualquer transtorno psiquiátrico.

Transtorno bipolar

A defesa de Lima sustenta que o processo de internação foi orientado e chancelado por três especialistas da área.

Reportagem do colunista Léo Dias, publicada em maio, mencionou detalhes sobre a versão de Lima apresentada no processo judicial. E, segundo o jornalista, Lima disse em seu relato que uma psiquiatra, amiga do casal, diagnosticou Helena com transtorno bipolar e recomendou a internação.

Além da profissional mencionada, outros médicos também apontaram a mesma doença, que teria sido desencadeada pelo uso de remédios estimulantes para emagrecer, de acordo com a reportagem de Léo Dias.

O Metrópoles tentou contato com Paulo Lima, que não se pronunciou até a publicação desta reportagem.

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