
Estreante, Renan Santos tentou se vender como principal nome da 3ª via
Presidenciável colecionou polêmicas na corrida ao Palácio do Planalto. Essa foi a primeira vez do partido na disputa eleitoral

Candidato de um partido estreante, o também estreante Renan Santos (Missão) teve a campanha presidencial marcada por polêmicas e atuação nas redes sociais. O político foi oficializado para a disputa em um evento em São Paulo, em agosto, que reuniu mais de 2 mil pessoas. Como vice na chapa, ele escolheu o militar da reserva coronel Aroldo Medina.
Ele tentou se vender como nome da terceira via, para fugir da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (1º/10), a três dias do 1º turno da eleição, Renan Santos marcou 3% das intenções de voto. Ele se manteve neste percentual durante toda a campanha eleitoral.
Nas redes sociais, no entanto, o candidato acumulou números que competem com os principais nomes da disputa.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo a agência de análise de dados Palver, o presidenciável não só liderou as atenções em termos de volume, como também foi o que teve o maior percentual favorável (38%) das menções durante o primeiro debate eleitoral, em 23 de agosto.

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Ver todasUma semana depois, o candidato do Missão teve perfis de suas redes sociais derrubados após o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ter determinado a suspensão parcial da sua campanha digital.
O magistrado apontou atraso e omissão na declaração de contas à Justiça Eleitoral. O pedido de registro da candidatura de Renan foi apresentado em 7 de agosto, mas os 16 perfis (incluindo contas no Instagram, Facebook, TikTok e YouTube) só foram informados ao tribunal em 19 de agosto, 12 dias depois.
Campanha tumultuada
A trajetória pública de Renan Santos começou depois das manifestações de 2013. Em 2014, ele fundou o Movimento Brasil Livre, o MBL. Com o tempo, ganhou repercussão nacional e convocou protestos pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
À época, se consolidou como um movimento de direita e, em 2018, embarcou na campanha de Jair Bolsonaro para a Presidência da República. Depois, rompeu com o ex-chefe do Planalto e colecionou brigas públicas com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também candidato.
Renan Santos criticou o financiamento de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a cinebiografia de Dark Horse, que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele também acusou o adversário de copiar seus discursos e de “ter medo” de enfrentá-lo.
Em entrevista ao Metrópoles, ele criticou a decisão de Flávio Bolsonaro de desistir do debate da TV Globo, que seria realizado na noite dessa quinta-feira (1º/10).
Para Renan, não havia motivo para o senador evitar um confronto entre os presidenciáveis.
“Não é normal os caras fugirem como diabos, especialmente o Flávio. O Lula, eu entendo, assim, o cara tem mais de 80 anos. O Flávio tem minha idade. Flávio é uma pessoa saudável, jovem, supostamente capaz, que bastaria ele ir no debate”, afirmou Renan.
A participação de Renan no debate, inclusive, foi alvo de uma disputa judicial. O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Globo incluísse o candidato do Missão no debate. Antes, pedidos da legenda para assegurar sua presença haviam sido rejeitados na Justiça Eleitoral.
Flávio desistiu de participar duas horas antes do debate. O candidato do PL afirmou que não aceitaria o que classificou como “interferência judicial” e “censura”.
Em agosto, Renan e o parlamentar trocaram outras acusações. O senador não conseguiu registrar candidatura à Presidência após aparecer filiado ao partido Missão nos registros da Justiça Eleitoral.
O presidenciável afirmou que relatórios técnicos do partido comprovavam que o processo de confirmação e cliques em links de validação partiram do e-mail oficial do gabinete do próprio senador, sugerindo má-fé ou uma estratégia de vitimização da campanha adversária
A equipe de Flávio alegou ter sido vítima de um ataque ou uso indevido de credenciais. O presidente da Corte Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, restabeleceu a filiação do senador ao PL retroativamente, e o caso foi encaminhado para apuração da Polícia Federal.
O candidato do Missão se apresenta e é frequentemente descrito por analistas como um candidato outsider e antissistema na disputa pela Presidência da República.
O Missão teve seu registro e estatuto aprovados por unanimidade pelo TSE em 4 de novembro de 2025, tornando-se a 30ª legenda oficializada no Brasil e adotando o número 14 na urna eletrônica.
Antes, em 2018, circulou um vídeo em que Renan fazia declarações interpretadas como apologia à violência sexual e machismo. Ele alegou se tratar de provocação ou “piada entre amigos”.
Polêmicas na campanha
- Embate com Flávio — Renan acumulou troca de acusações com Flávio Bolsonaro. O candidato do Missão afirma que o senador tem “medo de enfrentá-lo”.
- Filiação ao Missão — Flávio Bolsonaro apareceu filiado ao Missão no sistema do TSE. Ele alegou ter sido vítima de fraude da legenda do adversário.
- Debate da Globo — Renan Santos recorreu ao STF após o TSE negar participação em debate da Globo. O ministro Gilmar Mendes determinou que ele fosse convidado, mas a emissora acabou cancelando o evento.
- Perfis derrubados — O ministro Dias Toffoli determinou a suspensão de 16 perfis do presidenciável e a suspensão da propaganda eleitoral em perfis não informados à Justiça Eleitoral dentro do prazo legal.
- Primeiro debate Band — Renan Santos levou fraldas geriátricas com os nomes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro para ironizar a ausência de ambos no primeiro debate presidencial. Denúncia — O representante do Missão foi alvo de notícia-crime no Ministério Público Eleitoral após ridicularizar a primeira-dama Janja da Silva.
Como Renan se posicionou
- Segurança pública — Na segurança pública, uma das principais propostas é o endurecimento do combate às organizações criminosas. O programa trata PCC e Comando Vermelho como grupos que exercem controle territorial e defende medidas mais rígidas contra integrantes de facções, incluindo a adoção do chamado “direito penal do inimigo”.
- Economia — Na economia, defendeu mudanças na política fiscal e na administração pública. A candidatura também defende investimentos em infraestrutura, tecnologia e indústria, além de medidas voltadas à soberania nacional.
- Escala 6×1 — Classifica o fim da escala 6×1 como uma “maluquice” e um risco grave de quebra econômica. Em entrevistas, afirmou que a CLT “já era” e defendeu o fim da Justiça do Trabalho.
- Educação — Gerou polêmica ao defender a abolição gradual de cotas sociais e raciais nas universidades e propor alterações no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), sugerindo flexibilizar regras para permitir suspensões escolares mais efetivas diante de casos de indisciplina e violência.











