Estoque de restos a pagar chega a R$ 391,5 bilhões em 2026

O estoque RAP do governo cresceu 25,3% em relação a 2025 e alcançou o maior patamar em vários anos, representando 9,4% do orçamento

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Fachada do Ministério da Fazenda
1 de 1 Fachada do Ministério da Fazenda - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O estoque de restos a pagar do governo federal alcançou R$ 391,5 bilhões em 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (29/1) pelo Tesouro Nacional.

O valor representa uma alta de 25,3% em relação a 2025 e corresponde a 9,4% de todo o orçamento da União, consolidando um dos maiores volumes registrados desse tipo de despesa.

Os restos a pagar são valores que o governo empenhou, ou seja, reservou no orçamento, mas não conseguiu quitar até o fim do exercício financeiro. Na prática, funcionam como uma conta empurrada para os anos seguintes, comprometendo o espaço fiscal de gestões futuras.

Do total registrado em 2026, R$ 109 bilhões são restos a pagar processados, quando o serviço foi prestado ou o bem entregue, mas o pagamento ainda não ocorreu.

Outros R$ 282,5 bilhões são não processados, referentes a despesas que ainda não passaram pela fase de liquidação, o que indica atrasos na execução de políticas públicas e investimentos.

Segundo o Tesouro, 83% do estoque atual tem origem em empenhos feitos em 2025, enquanto os 17% restantes vêm de exercícios anteriores, mostrando que o problema não é pontual, mas estrutural.

Pressão sobre o orçamento

O crescimento expressivo dos restos a pagar reduz a capacidade do governo de financiar novas despesas, já que esses valores têm prioridade de pagamento sobre gastos futuros. Na prática, isso significa menos espaço para investimentos, políticas sociais e novos programas.

O Tesouro aponta que R$ 65,4 bilhões do crescimento estão ligados a despesas financeiras, como operações de crédito reembolsáveis, financiamentos de projetos tecnológicos, investimentos em infraestrutura social e aportes em programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida.

Também houve aumento em gastos voltados à adaptação climática e à manutenção de serviços aéreos regionais.

Já as despesas primárias responderam por R$ 13,7 bilhões do aumento, com destaque para:

  • Pessoal e encargos sociais (R$ 3,6 bilhões);
  • Benefícios previdenciários (R$ 3 bilhões);
  • Despesas discricionárias do Executivo (R$ 2,5 bilhões), que incluem custeio da máquina pública e investimentos não obrigatórios.

Em 2025, base de comparação usada pelo Tesouro, o estoque total havia sido de R$ 312,5 bilhões. Ao longo daquele ano, o governo pagou R$ 231,2 bilhões, cancelou R$ 14,9 bilhões e encerrou o exercício com R$ 66,4 bilhões ainda pendentes, valor que foi incorporado ao estoque atual.

As áreas que concentraram a maior parte dos pagamentos de restos a pagar em 2025 foram Previdência Social, Encargos Especiais, Saúde, Educação, Defesa e Agricultura, responsáveis por mais de 80% do total quitado.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?