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Brasil

Endividamento elevado preocupa Banco Central, que diz "preparar medidas"

Presidente do BC já manifestou preocupação com situação em março deste ano. Autoridade monetária quer condições mais sustentáveis

02/09/2026 10:31, atualizado 02/09/2026 10:45
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Imagem colorida da Fachada do Banco Central

O Banco Central (BC) divulgou, nesta quarta-feira (2/9), por meio do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), que prepara medidas para reduzir os riscos associados à elevada participação de crédito mais caro na composição da dívida das famílias.

“O Banco Central prepara medidas voltadas à mitigação dos riscos associados a essa dinâmica, de forma a fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro”, diz a autoridade monetária.

A informação consta na ata do Comef, que foi divulgada nesta quarta. Ainda no documento, o Banco Central pontua que o endividamento das famílias está em patamar histórico. O índice apurado pelo Banco Central é de 49,8% para as famílias endividadas.

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“O comprometimento de renda atingiu o maior nível da série histórica. Esse quadro segue sendo influenciado pela participação relevante de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias. Na visão do Comitê, o cenário requer cautela e diligência”, sinalizou o Comef.

Um dos exemplos de crédito caro é o rotativo. A taxa média de juros cobrados pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo registrou recuo de 6,2 pontos percentuais em julho deste ano e, ainda assim, bateu 436,2% ao ano.

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O endividamento elevado permanece, mesmo após o governo federal tentar contornar essa questão. Em 4 de maio deste ano, o Executivo lançou o programa Novo Desenrola Brasil, o Desenrola 2.0. A iniciativa visa facilitar a renegociação de dívidas com juros menores para a população.

BC quer crédito mais sustentável

O colegiado que observa o setor de finanças no país também identificou “redução no número de empresas com  aumento do lucro líquido, ao mesmo tempo que aumentou o número daquelas com elevação da despesa financeira líquida” e indicou que as medidas a serem adotadas visam proporcionar uma situação mais sustentável quanto ao crédito.

“Essas medidas visam promover o reconhecimento tempestivo dos riscos, o acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores”, ressalta o Comef.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou, no fim de março, que a autoridade monetária já estava de olho na questão do crédito saudável.

“A dimensão que o BC está analisando é uma discussão estrutural sobre como que você está o tempo todo produzindo normas e arranjos que são mais saudáveis do ponto de vista do consumo de crédito”, explicou em entrevista coletiva na época.

Influência no PIB

O consumo das famílias, importante vetor do setor de serviços, que é o maior da economia, teve recuo de 0,4% no último trimestre. Com isso, serviços teve avanço de 0,2% ante 0,5% no primeiro trimestre deste ano.

Dessa forma, o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, enquanto havia avançado 1,1% nos primeiros três meses deste ano.