Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Brasil

Fazenda atribui desaceleração do PIB a juros altos e prevê reduzir projeção

Pasta afirma que faz revisão em previsão para o PIB com "viés de baixa". Projeção atual é de 2,3%. Mercado espera avanço de 1,92%

01/09/2026 13:05
Washington Costa/MF
Imagem colorida da fachada do Ministério da Fazenda

O Ministério da Fazenda creditou, nesta terça-feira (1º/9), a desaceleração no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) principalmente aos juros da economia e ao elevado endividamento da população. A pasta adiantou que vai revisar, com “viés de baixa”, a projeção de crescimento do PIB de 2026, atualmente em 2,3%.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça que a economia cresceu 0,5% no segundo trimestre deste ano, ante expansão de 1,1% no primeiro trimestre do ano.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A manifestação da Fazenda foi feita por meio de uma nota técnica editada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) da pasta. Ao longo do texto, a pasta cita os argumentos para o desempenho arrefecido da economia. Os destaques são os juros e o endividamento.

“O quadro é consistente com os efeitos ainda predominantes da política monetária restritiva sobre os vetores da absorção doméstica e sobre os setores mais cíclicos da economia, particularmente a indústria de transformação, a construção e o comércio, em um ambiente de endividamento elevado”, diz trecho do documento.

Os juros da economia são influenciados pela taxa básica, a Selic, que é direcionada pelo Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado é formado pelos diretores do Banco Central (BC).

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

A Selic atualmente está em 14% ao ano. O índice está em ciclo de queda. A última redução foi de 0,25 ponto percentual, quando o patamar era de 14,25% ao ano. O próximo encontro do Copom para deliberar sobre a Selic está marcado para realização nos dias 15 e 16 deste mês.

O endividamento está elevado. O índice apurado pelo Banco Central é de 49,8% para as famílias endividadas. Para tentar contornar este ponto, o governo federal lançou, em 4 de maio deste ano, o programa Novo Desenrola Brasil, o Desenrola 2.0. A iniciativa visa a facilitar a renegociação de dívidas com juros menores para a população.

Impacto no consumo das famílias

Um dos pontos importantes para a desacelaração no crescimento do PIB no período tem a ver justamente com juros e endividamento. É o consumo das famílias. Este componente do PIB recuou de 0,4% no segundo semestre deste ano.

O consumo das famílias é importante porque impacta diretamente o setor de serviços, que é o maior da economia, seguido por indústria e agropecuária.

No segundo trimestre, serviços teve avanço de apenas 0,2%. No trimestre anterior, a variação também foi positiva, mas com uma dimensão maior: 0,5%.

Veja o desempenho dos setores da economia no 2º trimestre de 2026:

  • agropecuária: 2,8%;
  • serviços: 0,2%; e
  • indústria: 0,1%.

Revisão para baixo

Outro destaque da nota da SPE é o anúncio de que deve revisar para baixo a previsão de crescimento da economia neste ano.

“A projeção da SPE para o PIB de 2026 é atualmente de 2,3%, encontrando-se em revisão para o próximo Boletim Macrofiscal, com viés de baixa”, afirma a SPE na nota desta terça.

O mercado reduziu, nessa segunda-feira (31/8), de 1,95% para 1,92% a projeção de crescimento na economia neste ano. A informação consta no Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central a partir da opinião de analistas do mercado.

O BC considera um avanço de 2%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez, no último dia 8 de julho, uma nova revisão para cima do crescimento do PIB brasileiro, no patamar de 2,4%, ante o 1,9% verificado na estimativa de abril deste ano.