Queda no consumo das famílias ajudou a desacelerar PIB do 2º trimestre
PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre deste ano, mas número apresenta desacelaração em relação ao intervalo anterior

A queda no consumo das famílias no segundo trimestre deste ano foi um dos pontos importantes para a desacelaração no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no período. No comparativo entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, houve recuo de 0,4% na aquisição de bens e serviços entre as pessoas.
O PIB do segundo trimestre teve crescimento de 0,5% ante 1,1% no primeiro trimestre (janeiro a março). O consumo das famílias é importante porque impacta diretamente no setor de serviços, que é o maior da economia, seguido por indústria e agropecuária.
O PIB do Brasil
- Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, em um ano. A divulgação é feita trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
- Uma alta significa que a economia está crescendo em um ritmo bom. Por outro lado, um recuo implica encolhimento da produção econômica da nação.
- Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, ante crescimento de 3,4% no ano de 2024.
No segundo trimestre, serviços teve avanço de apenas 0,2%. No trimestre anterior, a variação também foi positiva, mas com uma dimensão maior: 0,5%.
O recuo de 0,4% no consumo das famílias quebra uma sequência de dois trimestres com índice positivo no indicador, ou seja, no quarto trimestre de 2025 e no primeiro trimestre deste ano.
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Variação no consumo das famílias
- segundo trimestre de 2025: 0,8%;
- terceiro trimestre de 2025: -0,1%;
- quarto trimestre de 2025: 0,1%;
- primeiro trimestre de 2026: 0,8%;
- segundo trimestre de 2026: -0,4%.
O recuo no consumo ocorre em meio a elevada empregabilidade, mas no ambiente de juros altos e endividamento. O desemprego no trimestre encerrado em julho caiu para 5,3%, menor taxa para o período, conforme dados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).
Por outro lado, o endividamento está elevado. O índice apurado pelo Banco Central (BC) é de 49,8% para as famílias endividadas. A taxa básica de juros da economia, a Selic, está em 14% ao ano, percentual considerado alto por analistas, o que influencia a oferta de crédito.
A taxa média de juros cobrados pelos bancos nas operações com cartão de crédito rotativo registrou um recuo de 6,2 pontos percentuais em julho deste ano, mas mesmo assim bateu 436,2% ao ano, por exemplo.
O IBGE ainda destaca, em relação à demanda o recuo na exportação de bens e serviços (-0,8%). A formação bruta de capital fixo avançou 1,2%, mas um crescimento menor do que o verificado no trimestre imediatamente anterior, de 3,4%.
Agropecuária
Dos três grandes setores da economia (serviços, indústria e agropecuária) a agropecuária foi o único que teve avanço entre os trimestres. No primeiro trimestre deste ano cresceu 2% e agora 2,8%. Neste âmbito, se destacaram o bom desempenho da pecuária e os crescimentos na estimativa de produção anual e ganho de produtividade de soja (5,3%) e café (15,1%), conforme apurado no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE) de agosto.
O desempenho poderia ter sido ainda melhor, caso não fosse o fraco desempenho de culturas como arroz (-11,3%), algodão (-6,7%) e milho (0,0%).
Indústria
O desempenho positivo na indústria, com avanço de 0,1%, teve como motor principal o crescimento de 3,4% na atividade das indústrias extrativas. No entanto, outras atividades tiveram retração:
- eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-1,1%);
- indústria de transformação (-0,4%); e
- indústria da construção (-0,4%).
Variação entre os setores
No primeiro trimestre deste ano, o PIB avançou 1,1%, comparado ao quarto trimestre do ano passado. A agropecuária foi o setor com o maior crescimento no período, com percentual de 2%. Na sequência apareceram a indústria (1%) e serviços (0,5%).

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Ver todasOs dados do IBGE mostram que os dois maiores setores da economia tiveram uma desaceleração entre os trimestres. Serviços passou de 0,5% para 0,2%. Já a indústria, que é o segundo maior, variou de 1% para 0,1% entre os períodos.
A agropecuária foi a única com aceleração no crescimento, passando de 2% para 2,8% entre os dois últimos trimestres. Como ela é o menor entre os três setores, o país não conseguiu sustentar o mesmo desempenho de crescimento ocorrido de janeiro a março.



