INSS: quem é o empresário que confessou fraudes e assinou delação

Maurício Camisotti é suspeito de envolvimento em esquema de descontos indevidos no INSS. Ele foi preso pela PF no dia 12 de setembro de 2025

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte Metrópoles
EMPRESÁRIO MAURÍCIO CAMISOTTI É APONTADO COMO BENEFICIÁRIO DE FRAUDES DA FARRA DO INSS - METRÓPOLES
1 de 1 EMPRESÁRIO MAURÍCIO CAMISOTTI É APONTADO COMO BENEFICIÁRIO DE FRAUDES DA FARRA DO INSS - METRÓPOLES - Foto: Arte Metrópoles

Maurício Camisotti, empresário preso desde setembro por participação no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões no INSS, admitiu a prática de fraudes e firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF). O Metrópoles confirmou a informação nesta quinta-feira (9/4).

Camisotti é dono de campanhias de área de seguros e planos de saúde. Ele foi preso pela PF no dia 12 de setembro do ano passado, suspeito de envolvimento no esquema de descontos indevidos sobre aposentadorias e pensões do INSS, revelado pelo Metrópoles.


Papel de Camisotti no esquema

  • Segundo a investigação, Camisotti controlava três entidades que faturaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021 com a farra dos descontos indevidos.
  • Todas essas três entidades investigadas pela PF são sediadas em escritórios comerciais em São Paulo. Juntas, somente no último ano, elas faturaram R$ 580 milhões.
  • A PF obteve a suspensão do acordo da Ambec com o INSS – essa entidade foi a que mais repassou dinheiro para as empresas de Camisotti: R$ 30,1 milhões.
  • Metrópoles já havia revelado que a Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras) e o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap) tinham como diretores estatutários funcionários e parentes de executivos do grupo de empresas de Camisotti.
  • No dia da operação que resultou na prisão de Camisotti, os agentes apreenderam esculturas, pinturas, armas e veículos de luxo. O empresário foi identificado como sócio oculto de uma organização e beneficiário de fraudes previdenciárias.

A PF já colheu os depoimentos da delação do empresário e enviou o acordo ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que agora deve analisar os termos do documento para dar validade jurídica à delação.

Ele havia sido transferido da Penitenciária II de Guarulhos (SP) para a Superintendência da Polícia Federal de São Paulo. As tratativas foram conduzidas pelo advogado Celso Villardi, que também fez a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no inquérito da tentativa de golpe em 2022. 

A expectativa da defesa é que, com o acordo, Camisotti consiga autorização para prisão domiciliar.

Laranjas

Entre as pessoas ligadas a Camisotti listadas pela PF, está, por exemplo, Maria Inês Batista de Almeida, que presidiu a Ambec entre 2023 e 2024. O Metrópoles já havia mostrado que ela se apresenta como auxiliar de dentista em um documento apresentado à Justiça. No entanto, a PF identificou que ela é registrada como faxineira de empresas de Maurício.

Primos, sobrinhos, uma irmã e um ex-cunhado aparecem como sócios de empresas e associações ligadas ao empresário. Todas essas companhias movimentaram cifras milionárias com as entidades. Quatro empresas do grupo de Maurício, o Total Health, receberam R$ 43 milhões das associações, segundo as quebras de sigilo bancário.

Entre elas, estão a Prevident e a Rede Mais, do ramo de saúde, e a Benfix, uma corretora de seguros em nome do próprio empresário. A Prevident, por exemplo, é dirigida por José Hermicesar Brilhante Palmeira, que foi secretário-geral estatutário da Ambec na gestão de Maria Inês, e recebeu sozinha R$ 16,3 milhões da Ambec.

À epóca da prisão de Camisotti, a defesa do empresário afirmou que não houve qualquer motivo que justificasse sua prisão no âmbito da operação relacionada à investigação de fraudes no INSS. Os advogados disseram que houve arbitrariedade cometida durante a ação policial.

Caso revelado

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?