Entidades de 1º delator da Farra do INSS faturaram mais de R$ 1 bilhão
Delação de Maurício Camisotti é a primeira fechada com a PF no escândalo do INSS. Acordo será analisado pelo ministro André Mendonça, do STF
atualizado
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Apontado como um dos líderes do esquema bilionário de fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o empresário Maurício Camisotti (foto em destaque) assinou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) no qual confessa ter desviado dinheiro de aposentadorias. O escândalo da Farra do INSS foi revelado pelo Metrópoles.
O acordo de Camisotti, que está preso desde setembro do ano passado, foi enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso do INSS no Supremo Tribunal Federal (STF), a quem compete homologar a delação do empresário. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmada pelo Metrópoles.
Essa é a primeira delação assinada no âmbito da Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF em abril de 2025. O lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, o ex-procurador-geral do instituto Virgílio Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis também negociam acordo de colaboração. Procurada pelo Metrópoles, a defesa de Camisotti não se manifestou.
Quem é Maurício Camisotti
- Preso no dia 12/9, em uma das fases da Operação Sem Desconto, o empresário Maurício Camisotti é dono de companhias da área de seguros e planos de saúde e acusado de controlar três entidades que faturaram mais de R$ 1 bilhão desde 2021 com a farra dos descontos indevidos sobre aposentadorias.
- Todas essas três entidades — Ambec, Cebap e Unsbras — eram sediadas em escritórios comerciais em São Paulo. Juntas, somente em 2024, último ano completo de vigência dos descontos, elas faturaram R$ 580 milhões. Após a operação da PF, todos os acordos feitos com INSS que permitiram os descontos de mensalidade nas aposentadorias foram suspentos.
- Como revelou o Metrópoles, as três entidades tinham como diretores estatutários funcionários e parentes de executivos do grupo de empresas de Camisotti.
- Entre as pessoas ligadas a Camisotti listadas pela PF, estava Maria Inês Batista de Almeida, que presidiu a Ambec entre 2023 e 2024. O Metrópoles já havia mostrado que ela se apresentava como auxiliar de dentista em um documento apresentado à Justiça. No entanto, a PF identificou que ela era registrada como faxineira de empresas de Camisotti.
- Primos, sobrinhos, uma irmã e um ex-cunhado também apareciam como sócios de empresas e associações ligadas ao empresário. Todas essas companhias movimentaram cifras milionárias com as entidades. Quatro empresas do grupo de Camisotti, o Total Health, receberam R$ 43 milhões das associações, segundo as quebras de sigilo bancário.

