INSS: PF enviou acordo de delação de Camisotti a André Mendonça
Empresário Maurício Camisotti confessou à PF participação no esquema de descontos indevidos em pensões e aposentadorias do INSS
atualizado
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A Polícia Federal (PF) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o acordo de delação premiada do empresário Maurício Camisotti, preso por envolvimento no esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. Os termos do acordo serão analisados pelo ministro André Mendonça, relator do caso.
A confissão e delação de Camisotti foram confirmadas nesta quinta-feira (9/4). A reportagem do Metrópoles apurou que o empresário já teve os depoimentos colhidos pela PF e aguarda, agora, decisão de Mendonça sobre a validade do acordo.
Camisotti, que atua no setor de seguros e planos de saúde, está preso desde setembro do ano passado. Em primeiro momento, ele estava detido na penitenciária de Guarulhos e, depois, foi transferido, em março deste ano, para a Superintendência da PF em São Paulo, em acordo com a defesa.
Farra do INSS
- O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023.
- Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.
- As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU).
- Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Apontado pela investigação como um dos principais articuladores do esquema bilionário, Maurício Camisotti é suspeito de ter estruturado, junto a aliados, um sistema de entidades associativas utilizadas para viabilizar descontos indevidos diretamente em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Segundo a Polícia Federal, o grupo controlava ao menos três entidades — Ambec, Unsbras e Cebap — que funcionavam como intermediárias na cobrança de mensalidades associativas descontadas dos benefícios previdenciários sem autorização adequada dos segurados.
As investigações apontam que essas organizações eram formalmente comandadas por pessoas próximas ao empresário, incluindo funcionários, parentes e operadores ligados ao seu grupo econômico, o que, conforme a PF, reforça a suspeita de controle indireto sobre o esquema.
Somadas, as entidades teriam movimentado cerca de R$ 580 milhões apenas em 2024, com faturamento que ultrapassa R$ 1 bilhão desde 2021, em meio ao crescimento expressivo dos descontos aplicados a aposentados e pensionistas.
