Em homenagem a Villas Bôas, Senado reproduz mensagem que irritou PT

General foi homenageado pelo Senado e ouviu de Alcolumbre que era "fã" do trabalho feito no Exército

atualizado 12/08/2019 19:10

Igo Estrela/Metrópoles

Um ano e quatro meses depois de publicar uma mensagem polêmica, na qual advertia o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os resultados do julgamento de um pedido de habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-comandante-geral do Exército general Eduardo Villas Bôas ainda é lembrado pela postagem. Na sessão especial em que foi homenageado no Senado, realizada nesta segunda-feira (12/08/2019), o plenário da Casa projetou a íntegra da mensagem que Villas fez no Twitter em 3 de abril do ano passado. A declaração dele causou polêmica e o PT acusou o militar de atuar para interferir no resultado do julgamento.

No telão do plenário estava escrito: “Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.

Na época, a mensagem de Villas Bôas deixava um recado nas entrelinhas. Segundo a Constituição, uma das obrigações das forças armadas é garantir o funcionamento das instituições democráticas. A publicação foi entendida como uma ameaça aos ministros, que negaram a liberdade ao ex-presidente, que então liderava a corrida presidencial.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse em seu discurso que, como comandante das Forças Armadas, Villas Bôas cuidou das fronteiras mas não esqueceu de garantir a ordem interna “sem recorrer à medidas de forças”.

Para muitos presentes no Senado, a declaração de Dodge soou como uma alfinetada ao homenageado. Comandante das Forças Armadas, Villas Bôas, declarou que pretendia “intervir” caso o Supremo Tribunal Federal concedesse Habeas Corpus ao ex-presidente Lula em abril de 2018. Lula está preso em Curitiba. Em novembro, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, ele chegou a dizer: “Temos a preocupação com a estabilidade, porque o agravamento da situação depois cai no nosso colo. É melhor prevenir do que remediar”.

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Bolsonaro
Havia uma possibilidade, aventada assessores, de o presidente Jair Bolsonaro (PSL) comparecer ao Senado para participar da mesma solenidade, porém seu voo de Pelotas (RS) para Brasília estava previsto para terminar as 17h40, o que impossibilitaria ele de chegar a tempo. O vice, Hamilton Mourão (PRTB), foi representá-lo.

A solenidade começou por volta das 16h20 e ocorreu no plenário da Casa. Villas Bôas, que sofre de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), chegou numa cadeira de rodas.

O presidente Davi Alcolumbre foi o mediador da homenagem. Em seu discurso, ele elogiou o general. “Eu sou seu fã. Muito obrigado pela sua presença aqui”, disse.

O discurso mais emocionante foi o da filha do general, Adriana Villas Bôas. Com voz embargada, ela iniciou dizendo que o pai não é perfeito. “O que falar do pai mais imperfeito da história? Eu conto para todo mundo que ele não é perfeito e ele agradece por isso. Força comandante”.

Depois da filha, foi a vez do homenageado falar. “Peço desculpas por essa voz do além”, disse Villas Bôas, em referência ao equipamento hospitalar que o ajuda a respirar por causa de sua doença degenerativa.

Ele agradeceu ao presidente do Senado por abrir as portas da Casa para receber um militar. Com dificuldade de respirar, ele agradeceu a homenagem e as palavras do “general Mourão”. “Hoje o Brasil busca reformar seus rumos”.

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