Em diário, atirador de Campinas diz que sofria perseguição

Em trechos de agenda encontrada entre os pertences de Grandolpho, o atirador fala sobre mortes no Ceará e em Realengo

atualizado 12/12/2018 17:49

Reprodução / EPTV

A Polícia Civil de Campinas (SP) divulgou nesta quarta-feira (12/12) trechos de uma espécie de diário mantido por Euler Fernando Grandolpho, o autor do ataque na Catedral de Campinas, que matou quatro pessoas e feriu mais quatro. A polícia agora trabalha com a suspeita de que o atirador, que cometeu suicídio após o crime, teve um surto psicótico.

Em entrevista ao EPTV, o delegado responsável pelo caso, José Henrique Ventura, declarou que o atirador vivia recluso em um cômodo na casa do pai, onde não permitia a entrada de ninguém. Foi nesse quarto que a polícia encontrou várias folhas soltas com anotações sobre acontecimentos do seu dia a dia.

“Ele fazia como um diário. E nisso a gente percebia muito essa coisa de perseguição que ele tinha. Anotava placas de veículos, sentia-se perseguido. Inclusive chegou a fazer um tratamento no Capes, que é um centro de atendimento psicossocial, e apresentava essa característica. Inclusive em dois boletins [de ocorrência] que ele já tinha feito”, declarou o delegado.

Em uma das anotações, Grandolpho fala sobre o massacre ocorrido em uma escola de Realengo em 2016, onde 11 pessoas foram mortas.

“Passei com meu cão em frente a uma construção ao lado da casa Q. Os moradores tem (sic) uma veterinária e uma delas gritou com ‘as paredes’: ‘E aí Ceará’, sobre o massacre ocorrido dias atrás. Ok. Hj, 31/01/2018 passei por lá e falei alto com o celular desligado na orelha. ‘E aí Realengo'”, diz um trecho do diário.

Em outro trecho, Grandolpho fala de pessoas que supostamente estão “ouvindo” sua casa e o perseguindo há mais de 10 anos. Além do diário, a polícia também apreendeu documentos e um computador.

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