Em áudio, juíza assassinada disse a amiga que ex a extorquia: “Morro de medo”
Nas mensagens, Viviane do Amaral deu detalhes do relacionamento abusivo que vivia com o ex-marido, que a assassinou no último dia 24
atualizado
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Poucos meses antes de ser assassinada pelo ex-marido, o engenheiro Paulo José Arronenzi, 52 anos, a juíza Viviane Vieira do Amaral, 45, deu detalhes sobre o relacionamento abusivo que vivia em mensagens enviadas a uma amiga. Na véspera de Natal, o engenheiro matou Viviane a facadas na frente das três filhas do casal, no Rio de Janeiro.
Nos áudios, a vítima relata que Paulo José, que está desempregado há seis anos, passou a extorquir dinheiro dela após o rompimento, pedindo que ela fizesse depósitos em sua conta. Os áudios foram obtidos pelo jornal O Globo.
“Eu morro de medo dele. Sempre fiquei pianinho com medo das alterações dele, dos desvios de comportamento, das violências que ele fazia”, disse a mulher em um dos áudios.
As mensagens foram entregues à Delegacia de Homicídios (DH) por parentes da juíza e integram o inquérito contra Paulo José.
Sobre os episódios de extorsão, Viviane contou que, depois da separação, Paulo José a pressionava para que ela desse dinheiro a ele. “Já fiz vários depósitos para ele. Fica me pedindo dinheiro disso, daquilo. Quando eu vi, já tinha depositado para ele mais do que ele me deu de pensão esse mês”, disse.
Viviane também afirmou à amiga que decidiu se separar após um episódio em que o ex-marido jogou um copo no chão ao brigar com uma das filhas, e um pedaço de caco de vidro cortou a menina. “Eu estava tentando refazer o meu castelo de areia, mas quando ele machucou a minha filha, chegou ao limite”, contou. Eles foram casados entre 2009 e 2020.
A juíza chegou a ter, por um tempo, escolta feita por seis homens armados e treinados em artes marciais, que a acompanhavam durante todo o dia em dois carros. O objetivo era protegê-la do ex-marido, que já a havia ameaçado e agredido.
A escolta havia sido colocada à disposição de Viviane após um pedido feito por ela mesma. Menos de dois meses depois de solicitar a segurança, ela avisou que não queria mais a proteção, atendendo ao pedido de uma das filhas do casal.
As cenas brutais ocorreram na frente das gêmeas, de 7 anos, e da menina mais velha, de 9. Um vídeo mostra que as crianças imploraram para que o pai parasse com as agressões.
O crime ocorreu na Avenida Rachel de Queiroz, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, quando a juíza foi deixar as meninas com o pai para a noite de Natal. A mulher morreu no local e ele foi preso em flagrante, e, em seguida, levado à Divisão de Homicídios (DH).
Denúncia pelo MP e bloqueio de conta
Na quarta-feira (30/12), o engenheiro foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por homicídio quintuplamente qualificado.
De acordo com a denúncia, trata-se de crime de feminicídio, perpetrado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, já que foi executado pelo denunciado contra sua ex-esposa. Também é tido como qualificado por ter sido praticado na presença física de três crianças, uma com 10 e duas gêmeas com sete anos de idade.
O engenheiro está preso em Bangu 8, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio.
A Justiça do RJ determinou, no último sábado (26/12), o bloqueio dos bens de Paulo José Arronenzi. Ao todo, R$ 640 mil foram bloqueados, porque Paulo tem cidadania italiana e, segundo a Justiça, poderia facilmente tirar o montante do país.
O dinheiro ficará disponível para uma futura indenização por danos morais e para garantir o sustento das três filhas do casal.














