Eleições: Planalto celebra “fôlego” de Lula e planeja novas ações
Nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta 4ª (13/5), aponta efeitos de anúncios recentes do governo federal na imagem de Lula
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou um respiro na avaliação do governo, de acordo com a nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nessa quarta-feira (13/5). O resultado foi celebrado por integrantes do Palácio do Planalto, e acontece em meio a novas medidas que visam alavancar a popularidade do petista às vésperas das eleições de outubro.
De acordo com o levantamento, o petista registrou uma leve recuperação em comparação à pesquisa anterior, feita em abril. A sondagem aponta Lula com 49% de desaprovação contra 46% que o aprovam — uma diferença de três pontos percentuais em relação ao mês passado.
No governo, a leitura é de que a interrupção da sequência de quatro quedas consecutivas na aprovação indica efeito das medidas recentes, apelidada de pacote de bondades ou benesses, e também uma melhora na comunicação do Executivo.
Até então, o diagnóstico interno era de que havia falhas na estratégia de divulgação, o que dificultava que as ações chegassem de forma clara ao eleitorado.
Ações
Com a proximidade do calendário eleitoral — o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e o segundo, se houver, para 25 de outubro — Lula tem acelerado o anúncio de iniciativas. Entre elas estão medidas de apelo direto ao eleitor, como a revogação da chamada “taxa das blusinhas” e o lançamento do Novo Desenrola Brasil.
Na terça-feira (12/5), o presidente assinou medida provisória (MP) que zera o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50. O anúncio foi feito em cerimônia convocada de última hora no Planalto.
Na ocasião, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, destacou que a iniciativa beneficia principalmente a população de menor renda, que recorre a plataformas estrangeiras para compras de baixo valor.
A revisão da política das “blusinhas”, em vigor desde 2024, ocorreu após desgaste na opinião pública. Levantamento da AtlasIntel mostra que 62% dos brasileiros consideravam a taxação um erro do governo.
Na semana passada, o foco foi o lançamento do Novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas voltado a reduzir a inadimplência das famílias. A nova fase permite negociar, em média, até 65% de débitos como cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e até o Fies.
Segundo a Quaest, a iniciativa teve repercussão positiva: 57% dos entrevistados afirmaram conhecer o programa. O governo também determinou que beneficiários que aderirem ao Desenrola ficarão impedidos de acessar plataformas de apostas on-line por um ano.
Disputa acirrada
Apesar do otimismo com a melhora nos indicadores, aliados do governo avaliam que a disputa eleitoral deve ser acirrada, a exemplo de 2022. Na simulação de segundo turno da Quaest, Lula aparece numericamente à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 42% contra 41% — empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Na rodada anterior, em abril, Flávio tinha 42% e Lula, 40%, também em cenário de empate técnico. O novo levantamento indica, portanto, uma leve inversão.
Percepção sobre notícias positivas do governo cresce
- A pesquisa Genial/Quaest divulgada nessa quarta-feira também aponta possíveis razões para a recuperação na aprovação de Lula. Entre elas, o aumento do impacto positivo do noticiário sobre o governo.
- Em relação à rodada de abril, houve alta de nove pontos percentuais na parcela dos entrevistados que dizem ter sido mais influenciados por notícias positivas sobre a gestão, alcançando 32%. Já a percepção de notícias negativas recuou cinco pontos, para 43%.
- O levantamento foi realizado entre 8 e 11 de maio e sugere que eventos recentes contribuíram para esse movimento, como o encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
- A reunião foi conhecida por 70% dos entrevistados e, para 43%, o presidente brasileiro saiu fortalecido do encontro com o líder norte-americano.
- Outro fator apontado é a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até cinco salários mínimos. Embora anunciada no ano passado, a medida começa a produzir efeitos na percepção da população.
- Segundo a pesquisa, houve aumento de quatro pontos percentuais no número de brasileiros que afirmam ter percebido melhora significativa na renda, chegando a 21%.
Novos anúncios
Ainda nesta quarta-feira, o governo anunciou medidas para conter os efeitos da guerra no Irã sobre o preço dos combustíveis. Lula assinou uma MP que prevê subsídio de até R$ 0,89 por litro de gasolina, válida por dois meses, com possibilidade de prorrogação. O diesel também será contemplado, com subvenção estimada em R$ 0,35 por litro a partir de 1º de junho.
A iniciativa se soma a outras ações já adotadas para reduzir o impacto das oscilações internacionais do petróleo. Até agora, foram concedidas subvenções de R$ 1,52 por litro para o diesel importado e de R$ 1,12 para o nacional. No caso do combustível importado, 26 estados aderiram ao regime extraordinário e passaram a contribuir com R$ 0,60 por litro.
O governo também destinou R$ 330 milhões para subsidiar o gás de cozinha (GLP), o equivalente a cerca de R$ 11 por botijão, além de zerar tributos federais (PIS/Cofins) sobre diesel e biodiesel.
Agora, o Planalto prepara uma nova etapa do Desenrola, voltada a consumidores adimplentes e trabalhadores informais. Segundo a equipe econômica, as novas linhas de crédito devem ser anunciadas até o início de junho, com o objetivo de reduzir o custo dos juros, especialmente no crédito rotativo.
Também está em fase final de elaboração uma linha de financiamento para renovação de frota destinada a motoristas de aplicativo e taxistas. O modelo deve seguir o formato do programa Move Brasil, que teve uma etapa para caminhoneiros e motoristas de ônibus lançada no final de abril. A iniciativa será lançada nos próximos dias.
Em entrevista ao Metrópoles, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSol), informou que a taxa de juros prevista para a iniciativa será “menor que a metade” do que é praticado hoje no mercado. Boulos também adiantou que o governo avalia alternativas para incluir entregadores no programa de crédito.













