Le Monde publica manifesto contra corte de verbas em universidades

O documento é assinado por mais de 1.400 pesquisadores. Segundo eles, a classe política não pode decidir o que é educação de qualidade

Luísa Guimarães/MetrópolesLuísa Guimarães/Metrópoles

atualizado 09/05/2019 21:22

A edição desta quinta-feira (09/05/2019) do jornal francês Le Monde trouxe um manifesto assinado por 1.400 pesquisadores ligados a entidades internacionais de ensino. No texto, eles dizem que “se preocupam diante da decisão de Jair Bolsonaro de acabar com subvenções públicas” para as ciências sociais.

O manifesto é uma reação à redução de 30% na verba para institutos e universidades federais brasileiras, especialmente para cursos de ciências humanas, e à declaração do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), de que era preciso focar em cursos que “dão retorno imediato” ao contribuinte.

“Através desse manifesto internacional, alertamos para as graves consequências dessa medida”, escrevem os pesquisadores.

“Em primeiro lugar, a educação, de forma geral, não pode gerar um retorno imediato; trata-se de um investimento nacional nas próximas gerações”, diz o texto publicado no jornal da França.

Os signatários dizem também que não cabe à “classe política” decidir o que é ou não é um “conhecimento de qualidade”: “A avaliação dos saberes e de sua utilidade não deve acontecer dentro da conformidade de uma ideologia dominante”.

As ciências sociais não são um luxo. (…) Como pesquisadores de diversas áreas, nós compartilhamos uma convicção profunda de que nossas sociedades, incluindo a brasileira, precisam de mais – e não menos – educação. A inteligência coletiva é uma fonte econômica e um valor democrático

Trecho do manifesto assinado por 1.400 pesquisadores estrangeiros

Entenda
O Ministério da Educação (MEC) cortou recursos de universidades que não apresentarem desempenho acadêmico esperado e, ao mesmo tempo, estiverem promovendo “balbúrdia” em seus campi, segundo afirmou o ministro Abraham Weintraub.

Três universidades já foram enquadradas nesses critérios e tiveram repasses reduzidos: as universidades de Brasília (UnB), Federal Fluminense (UFF) e Federal da Bahia (UFBA). Segundo o ministro, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, está sob avaliação.

“Universidades que, em vez de procurarem melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”, disse o ministro, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo.

De acordo com o ministro, universidades têm permitido que aconteçam em suas instalações eventos políticos, manifestações partidárias ou festas inadequadas ao ambiente universitário. “A universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo”, disse. Ele deu exemplos do que balbúrdia: “Sem-terra dentro do campus, gente pelada dentro do campus”.

Depois, o MEC anunciou que a medida atingiria a totalidade das universidades públicas e institutos federais de educação.

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