Presidente da CEF defende juros de mercado para casa de classe média

De acordo com Pedro Guimarães, insatisfeitos deverão procurar financiamento em bancos privados. Juros do Minha Casa, Minha Vida não subirão

Michael Melo/MetrópolesMichael Melo/Metrópoles

atualizado 07/01/2019 16:01

O novo presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Pedro Guimarães, afirmou nesta segunda-feira (7/1), após cerimônia de posse no Palácio do Planalto, que a classe média terá de pagar mais para ter crédito do banco público ou deverá buscar alternativas nas instituições privadas. No entanto, os juros não vão subir no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.

“Juro não vai subir para Minha Casa, Minha Vida […] Juro de Minha Casa, Minha Vida é para quem é pobre”, disse. “Quem é classe média tem que pagar mais. Ou vai buscar no Santander, no Bradesco, no Itaú. Na Caixa Econômica Federal, vai pagar juros maior que Minha Casa, Minha Vida, certamente, e vão ser juros de mercado. A Caixa vai respeitar acima de tudo o mercado. Lei da oferta e da demanda”, completou.

Segundo Guimarães, a capacidade para captação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da poupança, para financiamento imobiliário, tem um limite, “e este limite chegou”.

De acordo com o presidente da CEF, para continuar a expandir o crédito imobiliário, será preciso vender crédito da carteira da Caixa, “como ocorre em qualquer país do mundo”. “Na verdade, a pergunta é por que a Caixa e os outros bancos brasileiros ainda não fizeram isso”, disse.

Ainda segundo Guimarães, “ao vender R$ 20 bilhões, R$ 30 bilhões, R$ 50 bilhões ou R$ 100 bilhões em operações de crédito, eu consigo oferecer mais crédito”. “A Caixa vai passar a ser uma originadora de crédito, mais do que reter esse crédito no balanço. Isso não vai acontecer em dois, três ou quatro anos. Mas o objetivo é que a Caixa passe a originar 70% mais vendas a uma parte relevante.”

O novo presidente da Caixa disse que o banco venderá a carteira de crédito ativo via instrumentos do mercado de capitais. “Vamos fazer todos [os instrumentos]. Vamos fazer carteiras ativas – existem três instrumentos –, vai haver outros. Acho importante permitir a entrada de investidores estrangeiros. As carteiras de crédito são problema grave na Caixa hoje. Nada grave em relação a capital, mas tem impacto em resultado.” Segundo ele, as carteiras de crédito vencido são um problema sério, que precisa ser resolvido.

Guimarães afirmou ainda que é preciso ter metodologia para a venda de imóveis retomados. “São 60 mil imóveis. E isso tem que ser resolvido. Você vai ter que ter uma metodologia de venda de mil imóveis, 2 mil imóveis, 3 mil imóveis ao longo do ano. A maior parte desses imóveis são da Minha Casa, Minha Vida, faixas 1 e 2.”

O presidente, Jair Bolsonaro, e o ministro da Economia, Paulo Guedes, participaram nesta segunda-feira da cerimônia de posse dos novos presidentes de Banco do Brasil, Rubem Novaes, do BNDES, Joaquim Levy, e da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, em Brasília. (Com informações da Agência Estado)

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