“Não podemos errar. Se errarmos, sabemos quem voltará”, diz Bolsonaro

Declaração é resposta aos ruídos de que os dois teriam entrado em conflito na semana passada

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 07/01/2019 16:54

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) destacou, na manhã desta segunda-feira (7/1), a importância do seu ministro da Economia, Paulo Guedes, na definição dos rumos do governo. Na cerimônia de posse dos presidentes do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o presidente pregou uma complementaridade no perfil os dois.

“Eu entendo de política, mas Paulo Guedes entende muito mais de economia”, disse o presidente em evento realizado no Palácio do Planalto, sede do governo federal.

Na sequência, Bolsonaro destacou a autonomia de Guedes na condução econômica ao mencionar que conheceu Joaquim Levy, novo presidente do BNDES, minutos antes da posse.

“Na reunião informal há pouco, em minha sala, onde apertei a mão de Joaquim Levy pela primeira vez, perguntei a ele: ‘o Brasil vai dar certo?’ A resposta foi como bater um pênalti sem goleiro: ‘Se não fosse dar certo, não estaria aqui'”, contou Bolsonaro sobre o contato com o ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff. Num primeiro momento, pela relação de Levy com os governos do PT – ele também foi secretário do Tesouro na administração de Luiz Inácio Lula da Silva – Bolsonaro mostrou resistência quanto ao nome do executivo. Em sua fala, porém, ele reiterou o seu apoio.

As declarações foram uma resposta aos ruídos que tiveram início no fim da semana passada, quando a equipe econômica teve que voltar atrás em declarações do presidente sobre aumento de tributos e a reforma da Previdência.

“Nós não podemos errar. Se errarmos, os senhores sabem muito bem quem pode voltar. As pessoas de bem não poderão se decepcionar com a gente”, disse, em referência ao Partido dos Trabalhadores.

Mais cedo, Guedes e Bolsonaro deram posse aos novos presidentes do BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. O ministro criticou as gestões anteriores. Rubem Novaes tomou posse como novo presidente do Banco do Brasil e Pedro Guimarães, da Caixa Econômica Federal.

Nomeações
O Diário Oficial da União publicou, em edição extra na última quarta-feira (2/1), a nomeação Rubem Novaes como novo presidente do Banco do Brasil e de Pedro Guimarães, da Caixa Econômica Federal.

Joaquim Levy, que assumiu a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) atuava como diretor financeiro do Banco Mundial, em Washington, desde o início de 2016.

Os presidentes anteriores dos bancos públicos eram Marcelo Augusto Dutra Labuto, à frente do Banco do Brasil desde novembro de 2018, quando o então presidente, Paulo Cafarelli, pediu demissão, e Nelson Antonio de Souza, que dirigia a Caixa desde abril. O ex-ministro do Planejamento Dyogo Oliveira estava à frente do BNDES desde abril.

Conheça o perfil dos executivos
Rubem Novaes, do Banco do Brasil: PhD em economia pela Universidade de Chicago (Estados Unidos), já foi diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Pedro Guimarães, da Caixa: PhD em economia pela Universidade de Rochester (Estados Unidos), seu trabalho analisou os processos de privatização no Brasil. É sócio-diretor do banco Brasil Plural, grupo financeiro fundado em 2009 que atua no mercado de capitais.

Joaquim Levy, do BNDES: PhD em economia pela Universidade de Chicago (Estados Unidos), já foi ministro da Fazenda no governo de Dilma Rousseff (PT), foi diretor do Banco Mundial.

 

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