Por EUA, Brasil põe em risco R$ 9,1 bilhões em exportações ao Irã

Exportações brasileiras cresceram R$ 3,3 bilhões nos últimos cinco anos, segundo dados do Ministério da Economia

atualizado 06/01/2020 21:51

Hugo Barreto/Metrópoles

Com a indicação de apoio aos Estados Unidos na guerra contra o Irã, o Brasil pode perder um mercado de R$ 9,1 bilhões, com base no valor das exportações brasileiras em 2018 ao país persa, segundo dados do Ministério da Economia.

O Irã pediu explicações formais aos brasileiros sobre o posicionamento do país frente à escalada dos conflitos no Oriente Médio.

Na sexta-feira (03/01/2020), um dia após a morte do general iraniano Qassem Suleimani em ataque aéreo dos EUA, o Brasil “manifestou apoio à luta contra o flagelo do terrorismo”, em conformidade com os norte-americanos.

Procurado, o Ministério da Economia, chefiado por Paulo Guedes, não se pronunciou sobre o assunto.

Mercado Brasil x Irã
As exportações brasileiras ao Irã cresceram US$ 820 milhões (R$ 3,3 bilhões na cotação atual) nos últimos cinco anos. O número, calculado entre 2013 e 2018, equivale a alta de 57% no período.

Só em 2018, último ano analisado, o Brasil exportou pouco mais de US$ 2,26 bilhões (R$ 9,1 bilhões) ao país asiático.

Com 0,94% de participação nas exportações nacionais, o valor faz do Irã o 23º no ranking dos países que mais importam produtos brasileiros.

Arte: Metrópoles

Em contrapartida, o Irã exportou para o Brasil um valor muito menor. Em 2018, foram apenas US$ 39,9 milhões.

Assim, a balança comercial com o Irã fecha com saldo pesadamente positivo aos brasileiros. O país latino-americano fechou o último ano analisado com superávit de US$ 2,2 bilhões.

Produtos
O principal produto exportado ao Irã é o milho. O grão representou 46% do total, com base em dados de 2018. Nos primeiros 11 meses do ano passado, o domínio do produto prevaleceu.

Em seguida, aparecem: soja, com 24% de participação; carne bovina, com 14%; farelo e resíduos da extração de óleo de soja, com 9,3%; e chassis e carrocerias para veículos, com 3,1%.

Pelo lado das importações, os produtos variaram drasticamente no período de um ano. Se em 2018, lideraram semimanifaturados de ferro ou aços, com 86%; em 2019, ureia teve 97%.

Outro lado
O Metrópoles perguntou ao Ministério da Economia se o Brasil corre riscos de prejudicar a relação comercial com Irã após indicar apoio aos Estados Unidos. A pasta disse, porém, que não vai se manifestar sobre o assunto.

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