Com alta de até 25% no preço, brasiliense substitui carne bovina

Consumidor troca o produto por outro tipo de proteína ou até mesmo diminui a quantidade na hora da compra: queda na venda pode chegar a 40%

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 03/12/2019 15:25

O aumento do preço da carne tem influenciado no comportamento na hora das compras. Nos supermercados do Distrito Federal, o consumidor usa as mais diversas táticas para gastar menos.

O Sindicatos do Comércio Varejista de Carnes Frescas, Gêneros Alimentícios, Frutas, Verduras, Flores e Plantas do DF (Sindigêneros) estima que a alta do preço pode chegar a 25% este mês.

Já a queda nas vendas da carne é estimada entre 35% e 40%. O presidente para o setor do Sindigêneros-DF, Francisco Carvalho, aponta que a normalização do preço do alimento depende do comportamento do mercado. “Não há como prever”, afirma.

Assim, tem gente que substitui o produto. Outros, diminuem a quantidade. Luzia da Consolação, 65, diz que a alta no último mês foi notável. “Todo mundo já percebeu. Nos últimos dias, o colchão mole, por exemplo, pulou de R$ 26 para R$ 31,90. É um absurdo”, comenta.

A aposentada explica que a solução é fazer substituições. “Acabamos comprando mais frango”, conta sobre as mudanças nos hábitos de consumo. Se continuar aumentando, Luzia afirma que a diferença vai pesar no bolso.

Diminuição

Para Reginaldo de Barros, 53, um dos segredos para driblar a situação é diminuir as quantidades. “Nós estávamos comendo muita carne, já que o preço não aumentava fazia muito tempo. Subiu de uma vez”, conta.

Os churrascos de fim de semana também cessaram. “Nos restaurantes, o preço já estava salgado. Então, fazíamos em casa”, conta Reginaldo. Ele afirma que vai continuar fazendo o churrasco, mas em poucas ocasiões.

Com o aumento percebido da compra do último mês para cá, o funcionário público também aderiu a substituições. “A picanha e o filé, nós substituímos pela sobrecoxa”, afirma.

Outras proteínas também passam a fazer parte do carrinho de compras: o ovo e a sardinha são dois deles. “Mas o preço [desses produtos] também subiu”, pontua.

O que está em conta

Isabel Ribeiro, 48, é outra que sentiu no bolso o aumento. A roupeira hospitalar conta que não vai abrir mão do alimento, mas alguns hábitos vão mudar. “A gente compra o que está mais em conta.”

No carrinho, se encontravam as compras da semana para ela, o marido e a filha. Com cinco tipos de carne bovina, o valor gasto era de R$ 92. Isabel afirma que é mais do que gastava antes da elevação do preço.

Para tentar manter o orçamento em ordem, ela conta que costuma fazer pesquisas em supermercados à procura de preços mais em conta. Isabel aposta ainda em outra tática: “Compramos um pouco de cada pela variedade e por causa do preço.”

Que tal substituir?

O preço mais alto cria a oportunidade de o consumidor variar, quando o assunto é proteína. A nutricionista Nathália Bandeira afirma que são várias as opções de substituição para a carne bovina: frango, peixes e ovos são apenas alguns deles.

“Um alimento que está mais barato atualmente é o cogumelo”, destaca. A profissional cita ainda outras opções de proteína vegetal, como o grão de bico e a lentilha.

De acordo com Bandeira, a substituição da carne bovina traz, inclusive, benefícios para a saúde. “Hoje, o nosso boi é cheio de hormônios. A carne bovina tem sido mais prejudicial à saúde do que benéfica”, aponta.

Os motivos

O maior motivo para a mudança é o aumento da demanda da China pelo alimento. A procurar é resultado das consequências da peste suína africana que atinge a China. O vírus afeta apenas porcos, causando uma doença hemorrágica e quase sempre resultando na morte dos animais.

A alta no preço do dólar nos últimos dias de novembro também interfere no cenário. A venda da carne bovina ao mercado externo se torna ainda mais vantajosa a produtores nacionais, repercutindo no valor interno.

Em nota, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) apontou ainda para a aproximação das festas de fim de ano como responsável pelo aumento dos preços. No entanto, a associação acredita que a situação deve se equilibrar em janeiro.

“Esta elevação nos preços atual de 40% em apenas dois meses não é sustentável e que ela deverá refluir em algum momento, embora os preços não voltem aos patamares de maio/junho passado”, afirmou a Abrafrigo. A retomada das vendas de carne de frango dos Estados Unidos para a China deve influenciar a redução da procura de outras carnes pelos chineses.

A associação aproveita para tranquilizar os consumidores: não há risco de desabastecimento, apesar do aumento nas exportações.

Vendas ao exterior

O crescimento na exportação da cerne brasileira foi de aproximadamente 27% entre setembro e outubro deste ano, passando de 145 para 185 toneladas. Os dados são da Abrafrigo.

No mesmo período do ano passado, o Brasil exportou 161 mil toneladas — 24 mil toneladas a menos. Já em relação à quantidade exportada em janeiro deste ano, de 123 mil toneladas, o crescimento até outubro foi de 62 mil toneladas.

A China aparece em primeiro lugar no ranking de países que mais compram a carne brasileira. Foram 319 mil toneladas entre janeiro e outubro deste ano, somando US$ 1,6 bilhão. O número é 23% maior que o registrado no mesmo período de 2018.

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