Lápis importado da China ficará 50% mais caro, alerta associação

Em janeiro, o governo sobretaxou o produto fabricado no país asiático pelos próximos cinco anos, por causa de preços anticompetitivos

atualizado 19/02/2021 15:13

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Uma medida tomada pelo governo brasileiro pode encarecer em até 50% o preço do lápis de colorir e de escrever importado da China.

Segundo a Associação dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (Abfiae), a decisão vai aumentar os gastos do governo, que compra cerca de 500 milhões de unidades de lápis por ano, além de onerar os materiais escolares adquiridos pelas famílias neste período de volta às aulas do ano letivo de 2021.

 

Em janeiro, o governo decidiu que, pelos próximos cinco anos, haverá uma sobretaxa de até US$ 5,55, dependendo do fabricante chinês, por quilo de lápis produzido. A medida atende a uma demanda apresentada em 2019 pela Faber-Castell e a BIC.

As empresas francesa e alemã, respectivamente, detêm juntas 70% do mercado de lápis no país. Elas alegaram que os preços praticados pela China são anticompetitivos.

A Abfiae ainda vai tentar reverter a decisão na Câmara do Comércio Exterior (Camex). O presidente da Associação dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares e de Escritório (ABFIAE), Sidnei Bergamaschi, diz que a medida para coibir a importação da China, na realidade, praticamente fechará todo o mercado para lápis de madeira importado.

“A China é o centro da cadeia global de lápis de madeira, e mesmo empresas que produzem em outros países têm o gigante asiático como sua principal fonte de insumos, fazendo com que as opções tenham um custo no mínimo 30% a 40% maior ou ainda mais”, observa o presidente.

O país é o maior exportador mundial de lápis, com 46,3% do comércio internacional em 2018. No Brasil, o percentual é de 90%.

“Ao mesmo tempo, estamos falando, em termos concretos, de um forte processo de renúncia fiscal, pois o governo perderá receita tributária federal gerada nessas operações de importação (imposto de importação e PIS/COFINS) e não contará com contrapartida por conta de eventual aumento da produção da Faber-Castell e da BIC, pois ambas desfrutam de fortes benefícios e incentivos fiscais”, explica Bergamaschi.

Impacto

Ao avaliar a sobretaxa, a Câmara de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério da Economia, concluiu que não é possível dizer que haverá impacto no setor educacional como um todo ou que a medida irá prejudicar os consumidores brasileiros.

“Em relação à dinâmica de preços, mesmo com a aplicação do direito antidumping, o produto importado possui preço bastante inferior na comparação ao preço médio praticado pela indústria doméstica, o que reforça a rivalidade neste mercado”, observou.

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