Governo avança com agenda econômica no Congresso após derrotas

Governo recompõe parte da agenda econômica ao destravar pautas de arrecadação e recuperar trechos da MP do IOF

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Presidente-Luiz-Inacio-Lula-da-Silva-PT-lanca-o-programa-Reforma-Casa-Brasil-que-vai-oferecer-40-bilhoes-em-credito-para-reformas-e-melhorias-de-casas-em-todo-pais-Metropoles-8-600×400
1 de 1 Presidente-Luiz-Inacio-Lula-da-Silva-PT-lanca-o-programa-Reforma-Casa-Brasil-que-vai-oferecer-40-bilhoes-em-credito-para-reformas-e-melhorias-de-casas-em-todo-pais-Metropoles-8-600×400 - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu destravar pontos-chave de sua agenda fiscal nesta semana mesmo sob pressão e após derrotas no Congresso Nacional. A ofensiva ocorre em meio ao esforço para recompor receitas, reduzir o rombo das contas públicas e manter de pé a estratégia de equilíbrio fiscal defendida pelo Ministério da Fazenda para 2026.

O principal movimento foi a retomada, pelo Congresso, de trechos da Medida Provisória que tratava do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que havia caducado.

O resgate parcial dos dispositivos foi articulado como alternativa para garantir, no próximo ano, um alívio estimado em R$ 25 bilhões nas contas do governo. A manobra legislativa foi vista internamente como uma vitória relevante após a derrota recente com o arquivamento da MP que alterava a tributação de investimentos e criptoativos.

O avanço ocorre em um cenário de relação conturbada do Palácio do Planalto com o Congresso, onde o Executivo vinha acumulando perdas importantes, incluindo a derrubada de pontos da desoneração da folha e a resistência da base a discutir novos aumentos de impostos.

Mesmo assim, ministros e líderes governistas conseguiram costurar acordos mínimos que abrangem medidas com impacto direto no caixa federal.

Saiba quais pontos da MP foram recuperados pelo Congresso Nacional:

Liberação do uso de fundos para custear o Pé-de-Meia: o texto aprovado no Senado Federal autorizou que recursos de fundos públicos possam financiar o programa Pé-de-Meia, que funciona como uma poupança para estudantes do ensino médio. A medida dá mais flexibilidade ao governo para bancar o benefício sem pressionar tanto o Tesouro Nacional, garantindo previsibilidade ao programa mesmo em cenário de orçamento apertado.

Limites para a compensação da União às Previdências Estaduais e Municipais: o projeto definiu tetos para quanto o governo federal pode repassar a estados e municípios para cobrir déficits previdenciários locais. A mudança tenta frear o crescimento dessas despesas obrigatórias e criar um controle mais rígido sobre os pedidos de compensação feitos pelos entes federados.

Mudanças no seguro-defeso: foram incorporadas novas regras para o benefício pago a pescadores artesanais durante os períodos de proibição da pesca. O objetivo é reduzir fraudes, corrigir distorções no cadastro e tornar a concessão mais eficiente. O seguro-defeso é historicamente alvo de auditorias que apontam inconsistências no registro dos beneficiários, o que eleva o custo do programa.

Ajustes no auxílio por incapacidade temporária: as alterações atingem regras de perícia, revisão e concessão do antigo auxílio-doença. O governo tenta diminuir o acúmulo de processos no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e controlar gastos previdenciários que têm crescido acima do previsto. A ideia é modernizar a triagem e evitar pagamentos indevidos.

Mudanças nos créditos de PIS/Cofins: o texto trouxe ajustes na compensação de créditos tributários utilizados por empresas. Decisões recentes do Judiciário ampliaram o volume de despesas que podiam ser abatidas, pressionando a arrecadação. As novas regras tentam restringir compensações consideradas excessivas pela Receita Federal e recuperar receita perdida com discussões tributárias.

Imposto de Renda

Além das partes recuperadas da MP, uma das maiores vitórias do governo no Congresso foi a aprovação da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR). A medida é uma promessa de campanha do governo Lula e agora aguarda sanção presidencial para começar a valer já em janeiro de 2026.

Com a aprovação do projeto, brasileiros que ganham até R$ 5 mil mensais serão isentos do pagamento do IR, enquanto quem ganha até R$ 7,500 mensais terão a tabela ajustada e pagarão menos imposto.

Por outro lado, quem ganha acima de R$ 50 mil mensais deverá completar a alíquota de 10%, ou seja, quem recebe acima desse valor e já pagava 2% de imposto, terá de pagar mais 8%.

Com relação aos lucros e dividendos, a tabela será progressiva, sendo de 0% para rendas menores ou iguais a R$ 600 mil anuais e de 10% para rendas acima de R$ 1,2 milhão anuais.

As medidas de compensação garantem que a política seja neutra do ponto de vista fiscal, ou seja, não gere aumento de despesas ou de arrecadação para o governo.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?