Falta de insumos e custo de energia abalam indústria, aponta CNI

"Percebemos uma desorganização das cadeias de produção, com impacto negativo na situação financeira das empresas", diz gerente da pesquisa

atualizado 22/10/2021 11:17

A falta e o alto custo das matérias-primas completaram cinco trimestres consecutivos no topo do ranking de principais problemas enfrentados pela indústria, atingindo 62,4% das fábricas pesquisadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com a sondagem, outro vilão tem perturbado o sono dos empresários: a disparada do custo da energia, que incomoda desde julho deste ano.

O levantamento consultou 1.954 empresas entre 1º e 15 de outubro. De acordo com o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o problema dos insumos tem sido bastante significativo. “A alta dos preços de uma série de insumos ainda é bastante severa e generalizada e ainda há situações de escassez, atraso ou mesmo falta de insumos”, explica Marcelo Azevedo.

“Tudo isso afeta a produção. Percebemos uma desorganização das cadeias de produção, com impacto negativo na situação financeira das empresas e no custo das indústrias, o que limita uma recuperação industrial que poderia ser melhor”, acrescenta.

O indicador de evolução do preço de matérias-primas registrou 73,2 pontos, resultado bem acima da linha divisória de 50 pontos. Dados abaixo de 50 pontos indicam queda de preços e acima aumento de preços. Por estar bem longe da linha de corte, o índice revela aumentos significativos e bem acima da média histórica.

No caso da energia, o economista explica que a questão energética impacta diretamente a produção industrial e deve permanecer como ponto de atenção nos próximos meses. “O percentual de assinalações mais que dobrou entre o primeiro e o terceiro trimestres. E foi indicado por quase um quarto dos respondentes”, ressalta.

Percepção piora

Diante dos problemas com insumo e energia, a percepção sobre condições financeiras das empresas piorou. O indicador de satisfação com a situação financeira da empresa caiu de 52,1 pontos no segundo trimestre para 51,7 pontos no terceiro trimestre.

O indicador que mede a satisfação com o lucro operacional passou de 47,6 pontos para 47,3 pontos, com resultado abaixo da linha divisória de 50 pontos, o que indica insatisfação dos empresários com a margem de lucro. A facilidade de acesso ao crédito apresentou pequeno recuo no trimestre, passando de 43,1 pontos para 42 pontos. Apesar da queda, o indicador está acima da média histórica de 39,7 pontos.

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