Depois de dizer que não aumentaria, Petrobras eleva preço da gasolina

Revisão, que valerá a partir da zero hora desta quinta-feira, é uma reação ao atentado a refinarias na Arábia Saudita

Daniel Ferreira/MetrópolesDaniel Ferreira/Metrópoles

atualizado 19/09/2019 8:07

A alta do preço do petróleo no mercado internacional chegou ao Brasil. A Petrobras reajustou os valores da gasolina em 3,5% e o óleo diesel em 4,2% em suas refinarias. A revisão, que valerá a partir da zero hora desta quinta-feira (19/09/2019), é uma reação ao atentado a refinarias na Arábia Saudita, que fez com que a commodity oscilasse até 20% na última segunda-feira (17/09/2019).

Nos últimos dois dias, o petróleo do tipo brent, comercializado na Europa, chegou a cair, mas não na mesma proporção da alta. A Petrobras, que mantém seus preços alinhados ao mercado internacional, chegou a manter os valores inalterados no início da semana, mas, após questionamentos do mercado sobre uma possível ingerência do governo, reajustou os valores no mercado interno.

A empresa tem especial interesse em demonstrar que possui independência e que a sua política de preços de combustíveis não está submetida a questões políticas. Caso contrário, não vai conseguir atrair investidores para comprar suas refinarias.

Produção interrompida
O atentado do último sábado (14/09/2019) interrompeu a produção de 5,7 milhões de barris diários de petróleo, montante que representa metade do exportado pelos sauditas e 5% da produção diária no mundo.

O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, expressou preocupações com o mercado em uma série de posts no Twitter. Ele chegou a classificar a questão como uma “espécie de 11 de setembro”, em referência ao ataque terrorista ocorrido em Nova York, há 18 anos.

Ganhos
Com a disparada do preço do petróleo, as ações ordinárias da petroleira subiram 4,52% e as preferenciais, 4,39%. O movimento fez a estatal ganhar R$ 16 bilhões em valor de mercado.

“Se essa alta [do petróleo] não for repassada, por causa da pressão dos caminhoneiros, a imagem da Petrobras pode ser afetada. Ou seja, a governança da petroleira está em jogo”, disse Luís Sales, analista da Guide Investimentos.

No primeiro semestre, Bolsonaro chegou a acionar o presidente da Petrobras para intervir na política de preços da companhia, prática que acabou sendo castigada por investidores.
Procon-DF notifica postos
No Distrito Federal, o Instituto de Defesa do Consumidor do Distrito Federal (Procon-DF) notificou, nesta quarta-feira (18/09/2018), o primeiro posto de combustível a comercializar o litro da gasolina acima de R$ 4,22. A ação ocorreu após a repercussão negativa da disparada do preço do litro da gasolina no DF, mesmo antes de a Petrobras repassar aumento diante da crise do petróleo na Arábia Saudita.

O diretor-geral do órgão, Marcelo de Souza do Nascimento, afirmou que não descarta a possibilidade de prática de cartel no setor. No total, nesta quarta, 31 pontos de venda receberam a notificação.

Em nota, o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF) procurou justificar o aumento no preço do litro da gasolina ocorrido nos postos de combustíveis. Segundo a associação, a alta “parece representar apenas a recomposição de parte da margem de lucro bruto em torno de 10%” dos estabelecimentos.

De acordo com o sindicato, a margem “ainda está muito longe dos 15,87% de lucro bruto considerado razoável pelo próprio Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ao limitar uma grande rede de postos em Brasília em janeiro de 2016″.

Em texto assinado pelo presidente do sindicato, Paulo Tavares, o órgão informou que o preço médio do litro da gasolina ponderado no DF dos últimos 15 dias foi de R$ 4,2730. Isso representaria uma diferença de -R$ 0,301 na base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos últimos 90 dias. De acordo com a associação, a diferença “demonstra que a revenda baixou sua margem de lucro em R$ 0,25 a mais do que os R$ 0,045 baixados pela refinaria”.

Deputado acusa cartel
Também nesta quarta, o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Câmara Legislativa (CLDF), Chico Vigilante (PT), protocolou representação junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-DF) e também na Delegacia do Consumidor da Polícia Civil (PCDF).

Vigilante quer investigação sobre o que ele considera uma abusiva alta nos preços dos combustíveis. Segundo o petista, há indícios de combinação de preços e formação de cartel. (Com informações do Estadão Conteúdo)

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