Batata, feijão, frutas e aluguel: confira os vilões da inflação no DF

Elevações de preços em Brasília no semestre foram as mais baixas do país, mas itens básicos ainda pesam no bolso do brasiliense

atualizado 15/07/2019 14:21

A inflação acumulada do Distrito Federal nos primeiros seis meses de 2019, calculada com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), ficou em 1,66%, a menor entre as metrópoles do país, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo assim, produtos e serviços básicos, como batata, feijão e aluguel, oneraram o bolso do brasiliense com aumentos acima da média local.

As compras nos supermercados foram as que mais subiram de preço no período analisado. As maiores altas foram de 23,69%, aplicadas em tubérculos, raízes e legumes; de 13,98%, em cereais, leguminosas e oleaginosas; e de 9,39%, nas frutas (confira lista abaixo). Os planos de saúde encareceram 4,90%.

Analista da Coordenação de Índice de Preços do IBGE, Pedro Kislanov da Costa diz que, no grupo de tubérculos e raízes, os principais vilões foram a batata-inglesa, com acumulado de 40,5% neste ano no DF, e a cebola, com 25,98%. “No caso dos cereais, quem puxa bastante a inflação é o feijão carioca. No começo de 2019, houve uma alta de 100% no Brasil e, agora que está na segunda safra, o preço vai voltando aos poucos. Em junho, ele apresentou 38% de elevação em Brasília”, compara.

Os aluguéis subiram 3,69% entre janeiro e junho de 2019, mais do que o dobro em relação ao IPCA geral de Brasília no período. No segmento da educação, todos os quatro itens listados pelo IBGE tiveram aumentos entre 0,97 ponto percentual até 2,65 pontos percentuais acima da média do DF. São eles: cursos regulares, treinamentos diversos, leitura e papelaria.

“Eu senti que alguns itens pesaram mais do que outros neste ano mesmo. Se um fica mais caro, procuro a marca mais barata”, explica a manicure Thatiane Bonifácio Luiz, 32 anos, que costuma fazer compras acompanhada da filha Vitória, 6. Por causa da pequena, inclusive,  compra alimentos que costumam puxar os índices de inflação. “Minha filha gosta muito de tomate, por isso compro. Batata também. Mas por causa dos preços, desta vez vou levar bem menos”, admite.

 

Veja tabela de itens com maior inflação acumulada no DF até junho de 2019:

Funcionário da limpeza de um restaurante, Francisco Macedo, 18, divide casa com um amigo e tem a missão de, todo mês, abastecer o lar, principalmente com itens da cesta básica. Ele tem sentido que suas compras de desinfetantes têm pesado no bolso e, por isso, opta sempre pelas marcas mais em conta. “Mudei o que eu sempre comprava por causa do valor. Não me apego muito à marca mesmo”, confirma.

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A categoria de produtos de higiene pessoal, que acumula alta de 4,89% em 2019, faz parte da gama de itens industrializados não diretamente afetada por sazonalidades, como as que impactam os preços de frutas e legumes, por exemplo. Segundo Pedro Costa, do IBGE, há outras variáveis, como preço do combustível, que têm grande interferência.

Sobre o preço dos aluguéis, conforme o presidente do Sindicato da Habitação do DF (Secovi-DF), Ovídio Maia, não houve um impacto generalizado nos preços ofertados, apenas variações pontuais em regiões nobres de Brasília, especialmente na área central da cidade.

“Esse aquecimento na região ocorreu por causa da transição do governo federal. Mudou muita gente. As pessoas ligadas aos altos escalões anteriores não retornaram imediatamente a seus estados de origem e isso somou-se à demanda de novos moradores que vieram com os novos eleitos e funcionários públicos”, detalha. Conforme Ovídio, portanto, o mercado ajustou-se à lei da oferta e da procura, por isso os preços subiram, mas não é uma tendência generalizada.

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