Ainda sem protocolo da Anvisa, cruzeiros confirmam temporada 2020/2021

Agência afirma que temporada não tem data para início, mas viagens já estão marcadas para novembro deste ano, mesmo com pandemia

atualizado 11/09/2020 23:02

Ainda sem protocolo da Anvisa, cruzeiros confirmam temporada 2020/2021Buda Mendes/Getty Images

Apesar de a temporada 2020/21 de cruzeiros estar confirmada e já ter, inclusive, data marcada para começar, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não preparou protocolo contra a Covid-19, doença do novo coronavírus, para o setor.

A situação provoca certa preocupação das empresas de cruzeiros marítimos, já bastante afetadas pela crise sanitária e econômica causada pela pandemia do novo coronavírus. Isso após registrar um crescimento de 16,1% no primeiro semestre do ano passado, segundo dados da Cruise Lines International Association (Clia Brasil).

Ao Metrópoles, a Anvisa informou em nota que as viagens de cruzeiros marítimos estão suspensas em razão da pandemia. “Não há previsão para abertura do setor. Dessa forma, não é possível antecipar informações ou fazer previsões sobre as próximas temporadas”.

No Brasil, as viagens de cruzeiros turísticos estão canceladas desde 13 de abril deste ano, após determinação do Ministério da Saúde – dois dias depois da Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar o novo coronavírus como uma pandemia global.

No entanto, a informação repassada pela Anvisa de que não há previsão para reabertura do setor se choc com o que de fato está acontecendo. Empresas de cruzeiros marítimos, como a MSC Cruzeiros, uma das principais da área, afirmam que a temporada 2020/21 está confirmada para novembro deste ano e já iniciou preparativos e planejamento.

No próprio site da Associação Brasileira de Terminais de Cruzeiros Marítimos (Brasil Cruise), estão marcadas mais de 50 escalas. A primeira delas vai acontecer em 15 de novembro, quando um navio da MSC Cruzeiros sai de Santos, no litoral paulista, com destino a Búzios (RJ).

“Evidentemente, vai ser uma temporada totalmente diferente, mas o protocolo que os terminais terão que adotar ainda não foram definidos. Estamos aguardando a Anvisa se manifestar sobre o assunto”, disse o presidente da Brasil Cruise, Carlos Eduardo, ao Metrópoles.

Nesta semana, uma outra empresa do setor, a Costa Cruzeiros, anunciou o cancelamento das viagens marcadas para a América do Sul devido ao “cenário de indefinições”, além do pouco tempo de organização para trazer os navios que estão baseados na Europa.

Os brasileiros representam 64% dos cruzeiristas da América do Sul e é o maior mercado do continente, de acordo com dados da Clia Brasil, a voz líder do setor de cruzeiros global, divulgados no fim de 2019.

Protocolo

Segundo a MSC Cruzeiros, que retornou as operações no Mediterrâneo (entre Europa, África e Ásia) em meados de agosto, um protocolo foi enviado e apresentado para as autoridades brasileiras responsáveis na segunda quinzena de julho e desde então ainda não obteve retorno.

A informação foi confirmada pelo presidente da Brasil Cruise, Carlos Eduardo, que disse, no entanto, acreditar que a Anvisa defina um protocolo a tempo. “Há definições, datas marcadas, mas a consagração da operação pela Anvisa ainda não ocorreu”, afirma.

O reinício das operações da MSC Cruzeiros no Mediterrâneo seguiu a aprovação das autoridades na Itália, Grécia e Malta, do novo protocolo de saúde e segurança projetado, segundo a empresa, para proteger hóspedes e a tripulações.

A empresa diz realizar a testagem para Covid-19 de todos os passageiros e tripulantes antes do embarque, além de outras medidas de mitigação de risco a bordo. Os navios da companhia estão operando com capacidade reduzida em 70% durante a fase atual.

O planejamento prevê até quatro navios da MSC Cruzeiros programados para operar na América do Sul. Em sua temporada mais recente, cinco navios da companhia navegaram em águas próximas ao continente nos destinos do Brasil, Argentina e Uruguai.

Navios com infectados

Os cuidados ne setor de viagens e cruzeiros marítimos não podem ser tomados como exagero. Afinal, embarcações já passaram por sérios problemas por conta da Covid-19.

Em março deste ano, um navio de cruzeiro com 609 pessoas a bordo foi retido no Porto do Recife (PE), depois que um passageiro canadense de 78 anos apresentou sintomas do novo coronavírus, como febre, tosse e dificuldade de respirar. Ele foi encaminhado para um hospital particular da cidade.

Os 318 passageiros e 291 tripulantes foram mantidos sob isolamento em suas cabines e a Anvisa suspendeu novos desembarques e solicitou o retorno de quem não estava mais no navio.

Em fevereiro, o navio de bandeira norte-americana Diamond Princess navegava em águas japonesas quando dez passageiros foram diagnosticados com o novo coronavírus. Cerca de de 3.700 passageiros e tripulantes foram colocados em quarentena pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão por quase um mês.

Segundo a agência japonesa de notícias NHK, o saldo trágico foi de 712 passageiros infectados pelo novo coronavírus, com 7 mortes.

Dados

De acordo com números do Ministério da Saúde atualizados na noite desta sexta-feira (11/9), mais de 4,28 milhões de casos de Covid-19 foram confirmados no Brasil. Além disso, 130,4 mil pessoas morreram por complicações da doença, uma letalidade de 3%.

O Brasil é o terceiro país com mais casos de Covid-19 no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. A Argentina aparece na 10º colocação, com 524 mil casos. Exemplo bem-sucedido de controle da doença, o Uruguai registrou 1.759 casos confirmados.

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